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Ascensão da extrema-esquerda baralha cenário eleitoral em França

Com um discurso hostil às instituições europeias e promessas de subida do salário mínimo e recuo da idade da reforma, Mélenchon já superou o candidato do PS e começa a ameaçar os favoritos a três semanas da ida às urnas.

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Jean-Luc Mélenchon, nesta fotografica colocado no meio dos cinco candidatos, promete também intrometer-se na batalha presidencial a três semanas das eleições. Reuters
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 03 de Abril de 2017 às 11:33
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A insatisfação do eleitorado de esquerda com a governação de François Hollande, que nas últimas semanas se tem tornado mais visível nas ruas com várias greves de contestação às reformas em curso, sobretudo no plano laboral, está a afectar o candidato do partido às eleições francesas, que continua a perder apoios e nas últimas sondagens caiu mesmo para a quinta posição.

 

A quebra de Benoît Hamon, nomeado em Janeiro pelo Partido Socialista no poder, coincide com a subida do candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, um ex-membro dos socialistas, hostil às instituições europeias, contra a participação na NATO e com um discurso anti-globalização. O líder do movimento "La France Insoumise" promete aumentar o salário mínimo em 15%, recuar a idade da reforma para os 60 anos sem penalizações e um pacote de estímulo à economia de 100 mil milhões de euros.

 

Além de ultrapassar o candidato oficial do PS no estudo de opinião da Odaxa, publicado na revista Le Point, o candidato de 65 anos, que volta a ir a votos nas eleições de 23 de Abril depois de há quatro anos ter recolhido 11% dos votos, coloca-se a apenas um ponto percentual do candidato oficial da direita (17%), ameaçando desta forma relegar François Fillon para a quarta posição.

 

Embora Emmanuel Macron (26%) e Marine Le Pen (25%) permaneçam destacados nas sondagens – com o independente e centrista a vencer por margem confortável (59% - 41%) a candidata da Frente Nacional na segunda volta –, a ascensão rápida e consistente de Mélenchon a três semanas da ida às urnas volta a agitar a campanha eleitoral num país em que já é encarado como certo o fim da alternância no poder entre os dois maiores partidos.

 

Citado pela Bloomberg, o director da área política na empresa de sondagens Elabe refere que "se o elã de Jean-Luc Mélenchon continuar, podemos ter três ou quatro favoritos (…) dentro da margem de erro" dos estudos de opinião. A confirmar-se essa subida nos próximos dias, resume Yves-Marie Cann, então "haverá incerteza" quando ao sucessor de François Hollande.

 

Um inquérito realizado pela Harris Interactive aponta que 53% dos eleitores querem que o socialista Hamon desista da corrida e apoie Mélenchon, o homem que a maioria dos inquiridos pela Ifop acredita também que incorpora melhor os valores de esquerda. Questionado pelo semanário Le Journal du Dimanche, o candidato respondeu que "não se preocupa" com Hamon e que "o [seu] desafio não é ‘unir a esquerda’, mas unir as pessoas".

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