Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Revista de imprensa: "Bailinho" de Albuquerque deu a volta à cabeça que Costa "deixa rolar"

Os jornais descrevem uma vitória eleitoral "sem o brilho de outros tempos", mas que pode reforçar a legitimidade do sucessor de Jardim para renegociar a dívida e o plano de resgate da Madeira.

Gregório Cunha/Sábado
Negócios 30 de Março de 2015 às 09:54
  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...

A maioria absoluta conquistada pelo PSD nas eleições regionais da Madeira e a noite verdadeiramente para esquecer do PS estão em grande destaque nas páginas dos jornais desta segunda-feira, 30 de Março. Um sufrágio que fica também marcado pela saída de Alberto João Jardim do poder.

 

O Correio da Manhã titula na primeira página que Miguel Albuquerque deu "bailinho na Madeira", falando ainda numa "pesada derrota" para a coligação liderada pelo PS. O Jornal de Notícias diz que António Costa "deixa rolar a cabeça do líder do PS/Madeira" e frisa o silêncio do líder socialista que, apesar da deslocação ao arquipélago durante a campanha, "delegou numa figura de segunda linha do partido a leitura oficial dos resultados", referindo-se a Porfírio Silva, membro da secretariado nacional.

 

O Jornal de Notícias assinala também em título que a "enorme abstenção mancha vitória do PSD pós-Jardim" e sublinha que o vencedor reclamou "legitimidade para muita coisa", nomeadamente para negociar com a República formas de pagamento que aliviem a carga fiscal. É que, como lembra o Diário Económico, Albuquerque chega ao poder numa altura em que a Madeira "ainda tem de cumprir o plano de assistência financeira e com uma dívida estimada em seis mil milhões de euros", tendo a renegociação da dívida e o plano de resgate sido temas que marcaram a campanha.

 

O jornal i recorda que a maioria absoluta do PSD/Madeira não teve "o brilho de outros tempos", já que os 44,33% agora conseguidos representam a percentagem mais baixa de sempre do partido na região. No editorial, Luís Osório sustenta que terminou "o maior ciclo de poder dos últimos cem anos em Portugal", pois mesmo Salazar, que passou 36 anos em São Bento, esteve menos um que "o presidente quase eterno" do executivo madeirense.

 

O director adjunto do "i", que dedica quase toda a primeira página ao "primeiro dia do resto da vida" de Alberto João, assinala que o ex-presidente do governo regional madeirense "nunca foi um democrata" e que ganhar todas as eleições em que participou "não chega para o definir como respeitador do que define a democracia na sua essência".

 

"Diferenças no discurso" do mesmo partido

 

"Por um mandato se perde, por um mandato se ganha", atesta o Público, notando que a 11.ª maioria absoluta obtida pelos social-democratas foi conquistada pela diferença de um deputado (ocupará 24 dos 47 lugares no parlamento madeirense). Depois do "péssimo resultado" obtido pela Coligação Mudança e do "resultado desastroso" para as pretensões do líder do PS regional, que se demitiu na noite eleitoral, o nome de Carlos Pereira, economista e líder parlamentar na anterior legislatura, "ganha consenso dentro do partido" para a sucessão.

 

A abstenção acima dos 50% é atribuída pela correspondente na Madeira aos "eleitores fantasma" e às fracas expectativas por parte do eleitorado relativamente às onze candidaturas. Já no editorial, o título detido pela Sonae assinala que Albuquerque "estancou, ainda assim, o que parecia ser a tendência de queda do PSD de Alberto João Jardim", mesmo perdendo um deputado. Mas com o PS "sucedeu coisa pior: confiante nas virtudes do frentismo", constituiu a Coligação Mudança junto com o PTP, MPT e PAN e, juntos, tiveram menos votos do que o PS sozinho em 2011.

 

A diferença de comportamento face a Alberto João Jardim, que cumprimentou os adversários e agradeceu a cobertura "isenta" dos jornalistas também merece nota de destaque. A mesma que dá o Diário de Notícias ao escrever que o partido vencedor até é o mesmo, mas "já há diferenças no discurso: o continente deixou de ser inimigo, Pedro Passos Coelho é parte da solução da região e os restantes partidos são para ouvir e respeitar". Este jornal centenário dá ainda nota do ambiente pesado no Largo do Rato, onde se recusaram leituras nacionais depois de os socialistas terem sido "quase humilhados" na Pérola do Atlântico. 

Ver comentários
Saber mais Madeira eleições PSD Miguel Albuquerque António Costa PS
Outras Notícias