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Cameron aposta na recuperação económica e Miliband acena com risco de saída da UE

Parecem definidas as estratégias dos dois principais partidos britânicos para as legislativas de Maio. David Cameron garante que a escolha se faz entre a segurança económica e o caos que os trabalhistas iriam provocar. Já Miliband alerta para os riscos da saída do Reino Unido da UE.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 30 de Março de 2015 às 19:21
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Já foi dado o tiro de partida para a campanha formal às eleições gerais britânicas agendadas para o próximo dia 7 de Maio. E as linhas directoras da campanha de cada um dos principais contendores já parecem definidas. E não se apresentam como novidade de monta.

 

Os conservadores puxam galões da recuperação económica alcançada pelo seu Executivo, enquanto os trabalhistas preferem alertar para os riscos inerentes a uma eventual saída britânica da União Europeia (UE), possibilidade decorrente do referendo prometido pelo actual primeiro-ministro, David Cameron, caso vença as eleições.

 

O governante inglês aproveita para surfar a onda da recuperação económica do Reino Unido. Já este mês, o ministro das Finanças George Osborne reviu em alta as perspectivas de crescimento económico de 2,4% para 2,5% em 2015 e de 2,2% para 2,3% em 2016. "O Reino Unido está no caminho certo", resumiu David Cameron.

 

Num discurso proferido à porta do número 10 de Downing Street, já depois da habitual audiência com a rainha para a formalização da dissolução do Parlamento, o primeiro-ministro inglês defendeu que a escolha dos eleitores é simples porque se faz "entre dois extremos".

 

"Poderão escolher entre uma economia que cresce, que cria empregos, que gera dinheiro para assegurar um sistema nacional de saúde devidamente financiado, um governo que irá cortar impostos a 30 milhões de trabalhadores e um país que é seguro", afiançou o líder do partido Conservador antes de explicar o que representará um eventual governo protagonizado pelo trabalhista Ed Miliband: "O caos económico de um Reino Unido liderado por Miliband", em que "a dívida crescerá e o emprego cairá como resultado". Como tal, no dia que assinala o início formal da campanha eleitoral, Cameron sublinhou que "o mundo é perigoso e incerto" pelo que é necessária "uma liderança sólida", sustentou.

 

A via escolhida por Miliband também não foi inesperada. O líder do Partido Trabalhista alertou para o facto de o Reino Unido poder deixar de ser membro da União Europeia (UE). Possibilidade que a concretizar-se criaria um clima de grande incerteza para a economia e empresas britânicas.

 

A vitória de Cameron significa "o perigo" de se concretizar a realização de uma consulta popular sobre a permanência do Reino Unido no seio da UE. Também Miliband fala em caos quando garante que "o investimento estrangeiro desapareceria e seriam dois anos de caos durante os quais as empresas não poderiam fazer planos para o futuro". Um estudo recente do think-tank Open Europe prevê que a saída britânica da União implicaria uma queda do PIB de 2,2% até 2030.

 

Esta segunda-feira teve ainda espaço para uma polémica relativa à interpretação do plano económico apresentado pelos trabalhistas. Cameron voltou a insistir que as propostas económicas trabalhistas exigiriam um aumento de impostos às famílias britânicas no valor anual de 3 mil libras (cerca de 4 mil euros). No entanto, citado pelo Guardian, o Instituto de Estudos Fiscais assegurou esta segunda-feira que as contas feitas por Cameron são infundadas.

 

Sondagens apontam para empate e necessidade de nova coligação de governo

 

As duas sondagens conhecidas durante o fim-de-semana atribuem a vitória, pelos mesmos números, a trabalhistas e conservadores. O estudo do YouGov para o Sunday Times atribui 36% das intenções de voto aos trabalhistas e 32% aos conservadores. Inversamente, o estudo do ComRes para o Daily Mail e para a ITV News garante 36% das intenções ao partido de Cameron e 32% ao partido de Miliband.

 

As sondagens indiciam que a 7 de Maio nenhuma força partidária conseguirá uma maioria parlamentar, pelo que se avizinha a possibilidade de ser necessária uma nova coligação, isto depois da negociada em 2010 pelo Partido Conservador e os Liberais Democratas. Esta segunda-feira, o líder dos liberais, Nick Clegg, anunciou que "a era dos governos uni-partidários terminou".

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