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Sócrates pede aos eleitores que confrontem a sua personalidade com a de Passos Coelho

O secretário-geral do PS insistiu hoje na ideia de que nas eleições de domingo os eleitores deverão confrontar a sua personalidade com a do líder do PSD, que considerou "hesitante" e típica de quem desiste ao primeiro obstáculo.

Lusa 30 de Maio de 2011 às 16:35
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Num almoço comício em Almada, José Sócrates defendeu que o PS é um exemplo de "firmeza de rumo" e procurou definir os limites até onde deve ir o diálogo no processo de decisão.

"Um líder deve ouvir antes de decidir, mas neste momento o país precisa de quem tenha uma direcção e não de quem hesita ou de quem desista ao primeiro obstáculo. Eu nunca deixei de tomar as medidas difíceis que em consciência eram essenciais para defender o meu país", disse, depois de elencar uma série de casos (aborto, educação, orgânica de Governo) em que acusou Pedro Passos Coelho de ter mudado de opinião em plena campanha eleitoral.

Num dia que começou com um pequeno-almoço com cerca de uma centena de individualidades da cultura, Sócrates fez depois uma breve incursão na região do Oeste, onde, na Lourinhã, no final de uma arruada, aproveitou para reagir ao apelo feito na véspera pelo presidente social-democrata para que os eleitores da área socialista concentrem o seu voto no PSD.

Sócrates usou palavras duras para caracterizar este apelo: "Deixem-me ver se eu entendi bem, então ele [Passos Coelho] quer que os socialistas votem nele para termos outro referendo sobre interrupção voluntária da gravidez, para privatizar o Serviço Nacional de Saúde, para pôr em causa a escola pública e para acabar com a proibição dos despedimentos sem justa causa? Acho que este apelo é apenas patético e despropositado - e já tinha visto muita coisa na vida política portuguesa, mas agora que se apelasse aos socialistas para fazerem um voto inútil contra tudo aquilo em que acreditam, isso é que nunca tinha visto na minha vida", declarou.

A ideia de que nas eleições de domingo vai estar em causa a sobrevivência do modelo social europeu tal como foi construído após a II Guerra Mundial, na sequência de um alargado consenso envolvendo democratas-cristãos, sociais-democratas e socialistas democratas, foi a nota dominante no encontro de Sócrates com individualidades da cultura.

O presidente do Centro Cultural de Belém, Mega Ferreira, abriu a série de ataques ao modelo "egoísta" da ideologia de direita, sustentando mesmo que as eleições de domingo são "dramáticas", porque o modelo social europeu sofre uma "arremetida" por parte de uma corrente que quer aproveitar o acordo de assistência financeira assinado por Portugal com a 'troika' internacional para proceder a um assalto contra o papel do Estado tal como o conhecemos.

Sócrates falou pouco depois no mesmo sentido para tentar desmistificar as virtudes do modelo norte-americano da liberdade de escolha, que associou directamente à corrente ideológica de Pedro Passos Coelho.

O secretário-geral do PS afirmou então que este modelo de liberdade de escolha conduziu muitos países ao desastre e foi ao ponto de criticar o sistema de saúde (em grande parte privado) dos Estados Unidos, dizendo que é um dos mais caros do mundo e sem compensação ao nível da eficiência para a generalidade dos cidadãos.

"É estapafúrdia a ideia de que os serviços nacionais de saúde europeus consomem mais dinheiro do que os outros", concluiu.

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