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Tsipras tem nova oportunidade para governar e aplicar memorando

A vitória eleitoral deste domingo garante "um claro mandato de quatro anos" que permitirá "recuperarmos o nosso orgulho", prometeu o reeleito primeiro-ministro grego. Este resultado é visto pelos líderes europeus como uma oportunidade para rapidamente serem implementadas as necessárias reformas na Grécia.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 21 de Setembro de 2015 às 13:06
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Alexis Tsipras, agora reeleito primeiro-ministro grego, chefiou o Governo da Grécia durante cerca de sete frenéticos meses mas, segundo o próprio, durante esse período "não tive oportunidade de governar". Eleito pela primeira vez a 25 de Janeiro sob a promessa de acabar com a austeridade, assegurando, em simultâneo, manter o país no euro, Tsipras justificaria a impossibilidade de governar, já depois de a 20 de Agosto ter apresentado a demissão do seu Governo, com o arrastar das negociações com a troika que derivaram na "asfixia económica" da Grécia.

 

Porém, apesar de a vitória nas eleições realizadas este domingo, 20 de Setembro, ter estabelecido a menor participação eleitoral desde 1946 e de o Syriza ter perdido cerca de 300 mil votos face a Janeiro, Alexis Tsipras garante ter recebido "um claro mandato de quatro anos" que permitirá ao país eliminar "a corrupção sistémica" e, já a partir desta segunda-feira, 21 de Setembro, fazer da Grécia "um lugar melhor para os fracos e vulneráveis e um lugar mais justo". A 25 de Janeiro, Tsipras proclamava ter recebido um mandato popular para acabar com a austeridade.

 

Desta feita, a notícia dos quase 35,5% alcançados pelo Syriza não provocou as ondas de choque registadas em Janeiro, quando o partido de Tsipras era olhado pelos dirigentes europeus e pelos mercados com um elevado grau de desconfiança. Agora, por exemplo, François Hollande, presidente francês, considera a reeleição de Tsipras como "um importante resultado para a Grécia que poderá agora viver um período de estabilização com uma maioria sólida". Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, destacou ser necessário um "Governo sólido" que possa tomar posse o quanto antes de forma a implementar as medidas inscritas no memorando de entendimento.

Já Jeroen Dijsselbloem, líder do Eurogrupo, e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, preferiram realçar a necessidade de o novo Governo de Atenas começar já a trabalhar no sentido da prossecução do processo reformista. Dijsselbloem falou "no forte mandato para continuar o processo de reformas" enquanto Tusk sublinhou a importância da "dedicação e liderança" de Tsipras para "implementar o programa de ajustamento económico" necessário à recuperação económica do país.

 

Podemos [superar a crise] através de reformas
Alexis Tsipras

Ora, apesar de considerar que a nova vitória do Syriza contribuirá "para mudar as forças na Europa", o secretário-geral da coligação de esquerda radical admite que apesar de ser difícil superar a crise do país, "podemos consegui-lo através de reformas" que assegurem uma mais justa "distribuição de riqueza pelos mais fracos".

Novo Governo tem de iniciar rapidamente a implementação de reformas

O novo Executivo helénico, que reedita a coligação governativa entre o Syriza e os Gregos Independentes (Anel), terá agora de acelerar a adopção das reformas que constam no memorando de entendimento negociado com os credores da troika. Cortes nas pensões, a reforma do sector financeiro e privatizações são medidas que o Governo que deverá tomar posse já amanhã, 22 de Setembro, terá de endereçar já em Outubro, até porque se aproxima a primeira avaliação periódica ao cumprimento do memorando agendada para o final do próximo mês.

 

Está dependente desta avaliação, que poderá decorrer somente no início de Novembro tendo em conta eventuais atrasos na aplicação do programa de ajustamento, o desbloqueio de uma tranche de cerca de 3 mil milhões de euros bem como a possibilidade de ser iniciada a discussão em torno do alívio da dívida pública helénica. O Fundo Monetário Internacional (FMI), que defende um "alívio de dívida que permita à dívida helénica tornar-se sustentável", faz depender uma eventual participação financeira no resgate grego avaliado em cerca de 86 mil milhões de euros do resultado da primeira avaliação periódica. Uma fonte do Syriza citada pela Reuters, confirmou entretanto que o novo Executivo helénico "vai continuar as negociações [com os parceiros europeus] nos próximos tempos, com o tema da dívida a ser a primeira e mais importante batalha".

Há muito trabalho a fazer e não há tempo a perder
Margaritis Schinas

 

Os jornais gregos notam esta segunda-feira que o Syriza e Tsipras têm agora uma "segunda oportunidade" para aplicar as reformas e receber o resgate acordado com as três instituições da troika. Tsipras, que deverá tomar posse ainda esta segunda-feira, poderá agora cumprir o memorando acordado com a troika com base num mandato que legitimou esse mesmo acordo. Esta manhã, a porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, lembrava que o anterior Governo chefiado por Tsipras já se havia "comprometido com um ambicioso programa de reformas". Será também a própria capacidade do Governo para implementar essas reformas estruturais a ditar um eventual sucesso no pretendido alívio da dívida. "Há muito trabalho a fazer e não há tempo a perder", avisa a Comissão citada pelo Kathimerini. 

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