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Vídeo: Portugal tem que renegociar dívida enquanto tem "condições de dignidade"

Para Jerónimo de Sousa, é "inevitável" uma renegociação porque chegará o momento em que Portugal não vai conseguir pagar.

Lusa 30 de Maio de 2011 às 07:43
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O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu que Portugal deve renegociar a sua dívida externa o mais depressa possível, enquanto tem "condições de dignidade e capacidade" para o fazer.

Se esperar, vai ficar no "estado desgraçado" em que se encontra a Grécia, que é "prova provada" de que os comunistas têm razão em rejeitar o acordo de ajuda financeira estrangeira, afirmou numa entrevista à Agência Lusa.

Para Jerónimo de Sousa, é "inevitável" uma renegociação porque chegará o momento em que Portugal não vai conseguir pagar.

Sem renegociação de "prazos, taxas de juro e montantes" da dívida portuguesa, não haverá como travar a "luta social" dos portugueses, afirmou, admitindo que muita gente está "desprevenida" para enfrentar as consequências do acordo.

Igualmente importante, indicou, é a necessidade de "convergência" dos países que já tiveram ou estão em risco de intervenção externa por causa das suas dívidas.

"Eu acho que muitas pessoas não estão prevenidas para aquilo que querem fazer à sua vida, aos seus salários, às suas pensões e quando o sentirem vão reagir e agir", disse Jerónimo de Sousa em entrevista à Agência Lusa.

Se as pessoas já hoje se sentem "desencantadas", quando se fizer sentir a "brutalidade" das medidas contidas no acordo de ajuda financeira do FMI, BCE e Comissão Europeia, essas pessoas vão ser "força de descontentamento, protesto e luta e inevitavelmente a luta social vai desenvolver-se", previu.

Mas Jerónimo salienta que o PCP não tem uma postura de "quanto pior, melhor" para capitalizar os sentimentos de descontentamento das pessoas.

"Recusamos pensar em coisas como a redução de salários como uma oportunidade para reforçar a posição da CDU", vincou.

Questionado se há alguma medida positiva no acordo assinado por PS, PSD e CDS-PP, afirma que "nem uma".

No acordo, o PCP encontra é intenções de "devastar a nossa economia e pôr em causa a nossa soberania".

"Liquidação de empresas públicas, congelamento de salários e pensões, ameaças novas à Segurança Social com a redução da Taxa Social Única, Portugal a sofrer mais recessão e desemprego e nem uma medida para criminalizar por exemplo o enriquecimento ilícito" são um resumo do que o PCP vê no acordo.

O secretário-geral do PCP invocou "quase 900 anos de História" para argumentar que "sempre, nos momentos decisivos, as classes dominantes capitularam".

Jerónimo de Sousa afirmou que tem "esperança e confiança de que um dia o povo há de pôr as coisas no sítio".

"Mal ou bem", os portugueses têm registo de suportar "injustiças, às vezes anos e anos", até que um dia se fartam.

Para quem mantém "no horizonte" a vontade de construir uma sociedade socialista, poderão ser as novas gerações a dar o primeiro passo, dizendo "basta" de serem "maltratadas e ameaçadas de perder direitos importantes".

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