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Conservadores encabeçados por Juncker ampliam vantagem face aos socialistas

Esta nova sondagem confirma a existência de uma enorme "reserva" de eleitos de onde poderá surgir a terceira maior força política do novo Parlamento Europeu abertamente eurocéptica.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 20 de Maio de 2014 às 16:56
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A menos de 48 horas da abertura das urnas para as eleições europeias – Reino Unido e Holanda vão a votos já nesta quinta-feira, 22 de Maio – a última sondagem do PollWatch confirma que os conservadores do Partido Popular Europeu, que propõem o ex-primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker para a presidência da Comissão Europeia, deverão permanecer a maior família política em Estrasburgo, atribuindo-lhes maior vantagem face aos socialistas (16 em vez de três assentos) do que na sondagem publicada há uma semana.

 

De acordo com o PollWatch, que agrega o resultado das mais recentes sondagens divulgadas nos 28 Estados-membros, o PPE (família em que se encaixam o PSD e o CDS-PP) garantirá 217 assentos no total de 751. Segue-se o grupo socialista europeu (S&D), de que faz parte o PS e que apresenta Martin Schulz, o alemão antigo presidente do PE, à sucessão de Durão Barroso, com 201 lugares.

 

Comparando com a distribuição na anterior legislatura, o PPE perde peso (fica com 28,9% dos lugares, contra 35,8%) e fica a uma muito menor distância da família socialista, que passa a controlar 26,8% dos assentos, a escassos 16 lugares (em vez de 78) do PPE.

 

Esta nova sondagem confirma ainda a existência de uma enorme "reserva" de 95 deputados não-inscritos de onde poderá surgir a terceira maior força política do novo Parlamento Europeu abertamente eurocéptica e capaz de controlar 12,6% do hemiciclo.

 

Muito possivelmente, este universo não será capaz de formar um único partido minimamente coeso entre si: todos são contra alguma política ou orientação, nalguns casos mesmo a favor do desmantelamento da União Europeia, mas os pontos de contacto são escassos e a vontade de liderar uma corrente eurocéptica europeia é, ao invés, vasta.

 

A equipa do PollWatch antecipa, por isso, a possibilidade de os eurocépticos se repartirem por dois grandes grupos. O maior, com 66 deputados, seria liderado pelo UK Independence Party do britânico Nigel Farage, que continuaria à frente da "Europa da Liberdade e da Democracia", grupo formado após as eleições parlamentares europeias de 2009, sendo constituído sobretudo por elementos da União para a Europa das Nações e do grupo Independência/Democracia, ambos extintos no final da anterior magistratura.

 

Um outro menor – a Aliança Europeia para a Liberdade –  teria 38 eurodeputados e seria liderado pela Frente Nacional de Marine Le Pen, devendo ainda integrar partdos de extrema-direita relativamente menores, como o Partido da Liberdade do holandês Geert Wilders (que quer a saída da Holanda da UE), o FPÖ austríaco, o Vlaams Blok belga e a Liga Norte italiana. Para constituir um grupo parlamentar europeu é preciso pelo menos 25 eurodeputados eleitos em sete Estados-membros distintos.

 

Comparado com o cessante, o novo Parlamento tenderá a ser mais polarizado, com mais deputados da extrema direita mas também da esquerda radical, com o GUE/NLG - que apresenta o grego Alexis Tsipras, líder do Syriza, como candidato ao Executivo de Bruxelas - a garantir possivelmente 55 assentos.

 

Ainda assim, neste cenário, o terceiro maior grupo político (70 eurodeputados) continuaria a ser o Liberal (ALDE) que candidata o antigo primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt à Comissão.

 

Os Verdes, que apresentam a alemã Ska Keller à sucessão de Barroso, perdem votos e peso relativo e, segundo esta sondagem, ficaram como o segundo grupo mais pequeno de Estrasburgo, à frente do grupo liderado por Le Pen, com apenas 42 deputados.

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