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Conservadores renovam maioria num Parlamento Europeu mais extremado e eurocéptico

Com a Europa a atravessar a mais grave recessão desde a segunda guerra mundial, o eleitorado parece ter "guinado" ainda mais à direita, e o resultado é que o Parlamento Europeu vai continuar a ser pintado sobretudo do "azul" da família de centro-direita do Partido Popular Europeu (PPE).

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 07 de Junho de 2009 às 01:15
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Com a Europa a atravessar a mais grave recessão desde a segunda guerra mundial, o eleitorado parece ter "guinado" ainda mais à direita, e o resultado é que o Parlamento Europeu vai continuar a ser pintado sobretudo do "azul" da família de centro-direita do Partido Popular Europeu (PPE). Mas as primeiras projecções dos resultados à escala europeia apontam também para que os partidos extremistas e eurocépticos conquistem uma representação inédita, ainda que amplamente marginal, no novo hemiciclo de Estrasburgo, com as formações xenófobas e anti-integração a prometerem condicionar, cada vez mais, o rumo das políticas da União Europeia.

De acordo projecções provisórias avançadas pelo próprio Parlamento Europeu, o PPE - no qual se inseriram na última legislatura os eurodeputados do PSD e do CDS-PP - deverá conquistar entre 263 e 273 dos 736 assentos, acima do esperado.

Até agora, o PPE ocupava 288 dos até agora 783 assentos em Estrasburgo. Ou seja, a família europeia de centro -direita deverá manter sensivelmente inalterada a sua força relativa em Estrasburgo, em torno de 36,5%, o que indicia que boa parte dos seus Governos conseguiram escapar a um "cartão amarelo" do eleitorado, não obstante a crise. Esta dinâmica de "resistência azul" deve-se, em boa medida, à vitória arrecada pelos partidos conservadores, no poder, em quatro grandes países - França, Alemanha, Itália e Polónia - e ao crescimento da oposição de partidos da família do PPE em Espanha e no Reino Unido, onde os socialistas foram duramente castigados pelo eleitorado - à semelhança do que sucedeu em Portugal. Onde os socialistas parecem ter arrecadaram uma vitória invulgarmente folgada foi na Grécia, com o Pasok a ultrapassar a Nova Democracia, no poder.

Feitas as contas, o Partido Socialista Europeu (PSE) deverá ter sido mesmo a formação europeia mais castigada. As primeiras projecções apontam para que obtivessem entre 155 e 165 lugares. A confirmar-se o valor mínimo deste intervalo, o PSE passa a deter 21% dos votos no novo hemiciclo, que compara com quase 28% na legislatura anterior.

Anti-imigrantes em alta

Em contrapartida, a extrema-direita e os eurocépticos reforçam a sua posição. Na Holanda, o partido anti-imigração foi mesmo o segundo mais votado, atrás dos cristão-democratas no poder, ao arrecadar 17% dos votos. Na Áustria, dois partidos, também anti-imigração, conseguiram uma votação inédita de 17,7%.

Na Hungria, onde se prevê uma vitória clara da oposição conservadora, a extrema-direita pode obter um ou dois mandatos em Estrasburgo. Na Roménia, o Partido da Grande Roménia (PRM, extrema-direita) deverá ter conquistado 7%, o que lhe permitirá ocupar dois lugares no novo Parlamento



Taxa de abstenção volta a bater recorde

O crescimento relativo da expressão parlamentar das "franjas" terá sido fortemente ampliado pela taxa de abstenção, que terá voltado a bater um novo recorde ao nível europeu. A participação nos 27 países da União Europeia nestas eleições para o Parlamento Europeu foi a mais baixa de sempre. Segundo dados, ainda preliminares, fornecidos pelo Parlamento Europeu, a taxa de abstenção nas eleições europeias atingiu o nível recorde de 56,99% , com apenas 43,01% dos 375 milhões de eleitores a irem às urnas.

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