Europeias Grandes partidos europeus já têm candidato à sucessão de Barroso excepto o maior

Grandes partidos europeus já têm candidato à sucessão de Barroso excepto o maior

Em contagem decrescente para as europeias de Maio, as principais forças políticas já escolheram os seus "generais". Objectivo: vencer e suceder a Barroso.
Grandes partidos europeus já têm candidato à sucessão de Barroso excepto o maior
Bloomberg
Eva Gaspar 14 de fevereiro de 2014 às 00:01

Pela primeira vez, quase todos os agrupamentos partidários vão lançar-se nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, que irão decorrer em Portugal em 25 de Maio, com um candidato "bandeira" a presidente da Comissão Europeia.

A 100 dias da ida às urnas, todos os grandes partidos europeus já escolheram quem querem que suceda a Durão Barroso, excepto o maior.

O Partido Popular Europeu (PPE), onde se integram PSD e CDS que se apresentarão ao eleitorado português numa lista única (também ela ainda sem "general"), apenas tomará uma decisão durante o respectivo congresso agendado para 6 e 7 de Março. Os demais já fizeram as suas "primárias": os socialistas, actualmente a segunda maior força europeia, querem o alemão Martin Schulz; os liberais sugerem o ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt; os (pós) comunistas avançam com o grego Alexis Tsipras, enquanto os Verdes apresentam uma dupla candidatura e a única mulher, com o francês José Bové e a alemã Ska Keller.

O mandato de Durão Barroso termina em Novembro e, embora não lhe esteja vedado um terceiro mandato, nunca tal sucedeu pelo que tem sido atribuído a esse cenário uma probabilidade próxima de zero.

A escolha do presidente do Executivo comunitário é uma prerrogativa que permanece nas mãos dos líderes europeus. E será apenas no Verão – quiçá, no Outono – que se conhecerá o resultado de uma arbitragem sempre complexa entre os interesses de representação dos países do Norte e do Sul, grandes e pequenos, esquerda e direita, homens e mulheres, e que envolverá outros cargos que estão para vagar, designadamente o dos negócios estrangeiros europeus e do presidente do Conselho da Europeu, actualmente desempenhados pela britânica Catherine Ashton e pelo belga Herman Van Rompuy.

O Tratado de Lisboa abre, no entanto, a porta a que o próximo presidente da Comissão Europeia seja indirectamente sufragado pelo voto dos europeus, recebendo por essa via uma legitimidade democrática acrescida, ao instar os líderes europeus a "ter em conta" o resultado das eleições europeias. De todos os modos, o presidente da Comissão Europeia continuará a ter de ser sempre aprovado por maioria pelo Parlamento, admitindo-se que o próximo seja o mais eurocéptico de todos os tempos.

 
Sucessor de Durão Barroso será um destes?

A lista dos candidatos indicativos que serão apresentados aos eleitores europeus está quase fechada. Mas nada garante que, na hora "H", os líderes não tirem uma carta desconhecida da manga.

 

Democrata-cristãos: Jean-Claude Juncker? 

O Partido Popular Europeu escolherá o seu candidato no congresso de 6 e 7 de Março. Neste momento, haverá quatro candidatos: Jyrki Katainen, primeiro-ministro da Finlândia, Valdis Dombrovskis, primeiro-ministro da Letónia, Michel Barnier, o francês que na actual Comissão tutela os serviços financeiros, e Jean-Claude Juncker. É sobre este último que recai o favoritismo, sobretudo depois de ter sido noticiado que a Angela Merkel o apoiará.

 

Decano dos líderes europeus, Jean-Claude Juncker esteve 18 anos à frente do Governo do Luxemburgo e foi durante 24 anos também ministro das Finanças do Grão-Ducado. Saiu de cena neste Outono, depois de ter vencido eleições antecipadas, mas ter sido incapaz de formar uma coligação.

 

Socialistas: Martin Schulz

Foi eleito candidato com o apoio de 19 dos 32 partidos que integram a maior família de esquerda. É actualmente presidente do Parlamento Europeu e diz que, se for presidente da Comissão, as suas prioridades serão combater o desemprego entre os jovens e melhorar a cooperação entre as instituições europeias e os Estados-membros.

 

Membro do SPD, agora no governo de coligação liderado pela CDU de Angela Merkel, garante que se for para Bruxelas é para "lutar pela confiança dos cidadãos europeus e não para apoiar a grande coligação de Berlim". Mas no contexto actual, um dos maiores entraves à candidatura de Schulz será seguramente a sua nacionalidade. Há quem o veja noutros cargos: a substituir Ashton na política externa.

 

Liberais: Guy Verhofstadt

O antigo primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt acabou por ser o escolhido pelos Liberais, actualmente a terceira maior família política no Parlamento Europeu, depois de uma batalha renhida com o finlandês Olli Rehn, actual comissário europeu dos Assuntos Económicos.

 

"Temos de ser muito claros com a opinião pública e realçar que os eurocépticos populistas e nacionalistas não têm soluções para os problemas. Se querem um futuro para os filhos neste continente, é necessária uma união económica e fiscal e uma união bancária, o mais rápido possível", disse, aquando da sua nomeação. Acérrimo defensor da criação de eurobonds, chegou a afirmar que são a única via capaz de solucionar a crise do euro.

 

Esquerda Unitária: Alexis Tsipras 

O grego Alexis Tsipras tornou-se num dos rostos mais conhecidos da esquerda radical europeia quando o Syriza ficou em segundo lugar nas eleições legislativas de 2011, ultrapassando o Pasok, o Partido Socialista grego. É o candidato do Partido da Esquerda Europeia. Fundado em 2004, o PEE agrega a maior parte dos partidos comunistas europeus e seus sucessores (caso do BE português).

 

A escolha do líder do Syriza para candidato a presidente da Comissão foi justificada pelos seus pares por ser "o melhor símbolo da luta contra a troika e as políticas de austeridade". Segundo o próprio, a decisão foi motivada pelo desejo de "reunir a Europa e reconstruí-la sobre uma base democrática e progressiva".

 

Verdes: José Bové/Ska Keller

Os Verdes optaram por uma candidatura dupla, envolvendo a única mulher na corrida à presidência da Comissão. O sindicalista francês José Bové, há longos anos no Parlamento Europeu, tornou-se conhecido pela sua militância em movimentos anti-globalização, tendo sido preso em 2002 após ter participado na destruição de um restaurante da cadeia norte-americana McDonald's, e em 2003 e 2005 por ataques a plantações de organismos geneticamente modificados.

 

A alemã Ska Keller é, aos 33 anos, a única mulher mas também a mais jovem candidata a Bruxelas. Bové e Keller foram escolhidos numa eleição "primária" online em vários países que acabou por ser muito pouco participada: receberam 10% dos 100 mil votos esperados.




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