Legislativas BE avança com moção de rejeição se Cavaco der mandato à coligação

BE avança com moção de rejeição se Cavaco der mandato à coligação

Pedro Filipe Soares confirma que o Bloco de Esquerda avançará com uma moção de rejeição, que se tiver sucesso implica a queda do Governo, "caso o Presidente da República insista em manter no Governo PSD e CDS."
BE avança com moção de rejeição se Cavaco der mandato à coligação
Bruno Simão/Negócios

"Caso o Presidente da República insista em manter no Governo PSD e CDS que, tendo perdido a maioria absoluta perderam também esse poder absoluto, nós apresentaremos uma moção de rejeição." A garantia foi deixada esta segunda-feira, 5 de Outubro, por Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, em entrevista à TSF. O partido, que obteve o melhor resultado de sempre, defende que, havendo uma maioria de assentos de partidos de esquerda, não faz sentido que o mandato seja entregue ao PSD e CDS.

"Se hoje há uma maioria de deputados que diziam que não queriam o PSD e o CDS no Governo, então que haja consequência", disse também Pedro Filipe Soares, nas cerimónias de comemoração do 5 de Outubro, na Câmara Municipal de Lisboa, em declarações transmitidas pelas televisões nacionais.

A líder Catarina Martins tinha já dito  este domingo, quando reagiu aos resultados eleitorais, que o seu partido contestará se o Presidente da República der mandato para formar Governo à coligação PSD/CDS: "Se o Presidente da República, por filiação partidária ou pouca atenção aos votos, convidar a direita para um Governo, saiba que o Bloco de Esquerda, como é partido de palavra, vai rejeitar no Parlamento essa possibilidade e o programa de governo de direita".

 

O Bloco de Esquerda conseguiu o melhor resultado de sempre, tendo obtido 10,22% dos votos, que resultam na eleição de 19 deputados. A CDU atingiu 8,27% dos votos, tendo obtido 17 assentos parlamentares. O PS atingiu 32,38% dos votos, com 85 deputados, enquanto o PAN teve 1 deputado. Já a coligação PSD e CDS/PP, adicionados os mandatos obtidos pelo PSD Madeira e Açores (que concorreu nesses círculos sem estar coligado), registou 38,34% dos votos, suficientes para 104 deputados. O PCP, o BE e o PS conseguem ultrapassar a votação da coligação, com 121. 

 

"Não é compreensível que, tendo havido eleições, tendo mudado a composição do Governo, tendo retirado a maioria absoluta ao PSD e CDS, tudo fique igual. Seria incompreensível", declarou Pedro Filipe Soares. "Temos de facto deputados e deputadas que disseram em campanha que estavam cá para combater PSD e CDS. No Bloco de Esquerda mas não só. Essa nova maioria de deputados pode fazer toda a diferença na aprovação dessa moção de rejeição e na indicação clara que PSD e CDS não continuarão no Governo de Portugal", sublinhou ainda o responsável bloquista em declarações à TSF.

Nas suas declarações após o anúncio dos resultados eleitorais, António Costa defendeu que não faria parte de uma "maioria do contra". "A coligação PSD/CDS tem de perceber que há um novo quadro e não pode julgar que pode continuar a governar como se nada tivesse acontecido. Mas, infelizmente, a maioria que expressou uma vontade de mudança ainda não se traduziu numa maioria de Governo, nem satisfaz no mero exercício de uma maioria negativa apenas apostada em criar obstáculos sem assegurar uma alternativa credível e real de Governo", declarou.

Mesmo sem ir no sentido de um governo pelo PS, o deputado bloquista rematou que o Bloco assume "toda a responsabilidade do resultado" por si obtido: "lutar por políticas de esquerda".




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