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Costa: "Ainda não percebi tudo o que está a acontecer com o Novo Banco"

O líder socialista esteve num frente-a-frente com o secretário-geral do PCP, na SIC Notícias. Os dois candidatos criticaram a actuação do Governo no caso BES e na venda do Novo Banco. Já a permanência na Zona Euro gerou discórdia.

Sara Matos/Negócios
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 17 de Setembro de 2015 às 06:13

António Costa exigiu "explicação" e disse ainda não ter "percebido tudo o que aconteceu" com o Novo Banco, criticando a actuação do Governo e do governador do Banco de Portugal. As declarações do líder socialista aconteceram num debate pouco aceso na noite de quarta-feira, na SIC Notícias, com o líder do PCP, Jerónimo de Sousa.


Igual posição teve o secretário-geral do PCP, que recordou a intervenção de 3,9 mil milhões de euros do Governo "para colmatar o buraco negro que ali está". "Esse dinheiro, que é dinheiro nosso, tem de ser usado. Vamos estar outra vez numa situação tipo BPN (Banco Português de Negócios)?", questionou Jerónimo de Sousa, defendendo uma intervenção estatal  e controlo público do Novo Banco: "Devemos estar no controlo", defendeu.

Já António Costa destacou a mudança de rumo das declarações do Governo, citando o ministro da Economia, que afirmou "que quanto mais tarde fosse feita a venda, pior seria". "É evidente que quanto mais perto estivermos da dissolução, maior é o poder negocial do eventual comprador. Como é que o Governo, que ainda na semana passada proclamava isto, de repente diz que o facto de não se ter resolvido [a venda] não tem afinal problema nenhum? Isto é a falta de credibilidade total do Governo e, infelizmente, de uma instituição como o Banco de Portugal", acrescentou Costa.  


O ponto alto da discórdia entre os dois líderes foi sobre a posição de Portugal na Zona Euro e a rejeição de uma reposição imediata dos salários do sector público e da sobretaxa do IRS por parte do PS para garantir a continuidade na união monetária. "Gostaria de dizer que eliminava tudo de uma vez, mas, para que as contas batam certas, o ritmo deve ser este". "Temos de conseguir uma solução equilibrada sem romper aquilo que é sair ou não sair do Euro. Não fazemos num ano, fazemos em dois", justificou António Costa.

 

Já Jerónimo de Sousa não se conforma e questionou a autoridade que chega de Bruxelas. "Partimos do pressuposto que Portugal tem direito a um desenvolvimento económico soberano. Mas porque manda a União Europeia no nosso futuro colectivo?", questionou o secretário-geral do PCP.

 

Apesar de o secretário-geral do PCP sublinhar a existência de uma divergência de caminhos com os socialistas, António Costa não quis afastar a possibilidade de uma coligação com a esquerda comunista e disse ter a certeza de que nas questões do "quotidiano do nosso país", e que aborda o dia-a-dia dos "cidadãos, empresas, escolas públicas e pensões", pode haver um "diálogo" entre o partido comunista e o partido socialista. O líder socialista não deixou no entanto de destacar "uma diferença de fundo" em relação ao futuro de Portugal na Zona Euro. Costa aproveitou a questão da continuidade na união monetária para pedir um voto mais realista aos eleitores, sublinhando que "para a coligação de direita [PSD/CDS-PP] perder, é essencial que o PS ganhe".

 

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