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Costa: “O senhor quis a troika”. Passos: “Isso é absoluta mistificação”

Foi o primeiro grande regresso a 2011: Costa e Passos Coelho trocaram acusações sobre a responsabilidade pela vinda da troika. O líder do PS foi buscar recortes de jornal de há quatro anos, o primeiro-ministro disse que essa decisão foi de Teixeira dos Santos.

Bruno Simão/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 09 de Setembro de 2015 às 23:37
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A troika chegou a Portugal em Abril de 2011, depois de o Governo da altura ter pedido formalmente ajuda externa. Esta noite, mais de quatro anos depois, a responsabilidade pela vinda da troika foi um dos temas a alimentar o único debate televisivo entre António Costa e Passos Coelho antes das eleições de 4 de Outubro. O primeiro defendeu que o chefe do Governo quis que a troika viesse para Portugal, algo que Passos Coelho rejeitou: "sabe quem chamou o programa de ajuda para Portugal? O ministro das Finanças do governo do PS".

 

"O senhor quis a troika, tenho uma declaração sua de 30 de Abril de 2011 em que diz ‘a troika está cá a nosso pedido’", começou por dizer António Costa. O líder do PS lembrou até declarações de Eduardo Catroga, que chefiou as negociações com os credores externos do lado do PSD. Catroga "fez declarações dizendo: ‘temos oportunidade única, PSD deu um grande contributo para este processo’, gabando-se de ter sido o PSD a ter querido a troika", prosseguiu Costa.

 

Em suma: "gostou tanto da troika que quis ir além da troika". Passos Coelho não concordou. "Acho extraordinário que venha fazer a acusação de que há mistificação sobre a troika dizendo que foi o PSD que chamou a troika e que o programa foi negociado pelo PSD. Fala em mistificação? Sabe quem chamou o programa de ajuda para Portugal? O ministro das Finanças do governo do PS. Sabe o que disse Teixeira dos Santos quando chamou a troika? Que não podia ficar com a responsabilidade de deixar o país sem financiamento", contrapôs o primeiro-ministro.

 

"Isto são factos", acrescentou. E quanto às reuniões com a troika? "É verdade que o PSD teve uma reunião com a troika em que, durante uma hora, disse o que pensava. Espero que isso tenha servido para alguma coisa na dimensão estrutural do programa", descreveu. Passos rematou com ironia: "então foi a oposição que chamou a troika?". Em suma: "É uma absoluta mistificação" que tenha sido o PSD a chamar a troika, argumentou Passos Coelho.

 

Costa mostrou, pelo meio, um documento do actual Governo que mostrava que as medidas de austeridade aplicadas tinham sido "o dobro do que obrigava a troika". "Era na altura que achava que os portugueses eram piegas. Não se esqueça do que disse. É muito esquecido e está aqui o documento. É um documento do seu Governo quando se gabava de ir além da troika", atirou Costa. Passos respondeu apenas: "não sou esquecido.

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