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Fernando Negrão: Coligação não quer ficar em gestão e Cavaco pode gerar um "bloqueio"

Em entrevista à Antena 1, o futuro ministro da Justiça do Governo PSD e CDS sustenta que o bloqueio poderia ser ultrapassado com a "revisão constitucional fulminante" proposta por Álvaro Beleza.

Correio da Manhã
Negócios negocios@negocios.pt 29 de Outubro de 2015 às 09:54
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Não há disponibilidade da coligação para um Governo de gestão e a eventual insistência de Cavaco Silva nesta solução pode levar a um "problema grave", a um "bloqueio". Em entrevista à Antena 1, Fernando Negrão, escolhido para ministro da Justiça do Governo PSD/CDS afirma que a questão pode ser resolvida com uma "revisão constitucional fulminante".

Em causa está a proposta apresentada por Álvaro Beleza há dois dias para uma revisão constitucional que permita realizar eleições presidenciais e legislativas no mesmo dia. "Eu tenho a certeza que o PS, com a ânsia que está para ir para o poder, viabilizaria esta revisão constitucional fulminante uma vez que lhe abriria o caminho para formar governo".

"O Presidente da República terá de ponderar essa determinação por parte da coligação de não ficarmos num governo de gestão. Sob pena de cairmos numa situação de bloqueio: Pode ser a situação em que o PR entende que deve haver um governo de gestão e o governo entende que não devemos falar de gestão. Aqui temos um problema grave para resolver. Até já houve quem avançasse com a ideia de uma revisão constitucional fulminante", disse, entrevistado por Maria Flor Pedroso.

Assumindo que integra um governo "breve", Fernando Negrão acrescenta que tem estado de espírito de quem vai governar "em efectividade". "Desde as eleições de 4 de Outubro deste ano muitas improbabilidades aconteceram até hoje. Nós temos de olhar para o futuro de curto prazo expectantes e esperando que possam acontecer coisas improváveis. Portanto, eu admito que o Governo possa ser viabilizado".

Negrão argumenta que a eleição do presidente do grupo parlamentar do PS "não foi propriamente por um número muito extenso" e admite que os 14 deputados que não votaram favoravelmente são um número que pode viabilizar o Governo. "Não estou a dizer que vá acontecer. Claro que são coisas distintas. Mas se houver algum acordo entre o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda e se ele tiver uma amplitude de tal maneira perigosa para o futuro do país quero crer que esses deputados poderão pensar duas vezes antes de votar a queda do próximo Governo".

Já o cenário de um governo do PS apoiado por PCP e Bloco de Esquerda pode levar a eleições antecipadas, acrescenta.

"Se governarem com normalidade, se houver um respeito escrupuloso dos compromissos externos, se não houver problemas internos que ponham em causa a própria credibilidade do Governo… eu não vejo que seja necessário dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições", começa por responder. "Agora, se me pergunta se acredito nisto tudo dir-lhe-ei que tenho muita dificuldade em acreditar nisto porque aquilo em que defende o PS é o oposto daquilo que defende o Bloco de Esquerda e o PCP", acrescenta. "Acho que o Governo vai ter problemas que podem levar a eleições antecipadas", conclui.

Pode ser a situação em que o PR entende que deve haver um governo de gestão e o governo entende que não devemos falar de gestão. Aqui temos um problema grave para resolver.
Fernando Negrão

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