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Lacão responde a Assis: "Desta vez a arrogância está do teu lado"

Numa carta aberta publicada no Diário de Notícias, Jorge Lacão refuta as críticas de Francisco Assis a um eventual acordo entre o PS e os partidos à sua esquerda. Lacão diz que fechar essa porta agora, quando o PCP e o BE finalmente a querem abrir, consistiria num erro histórico.

Negócios 16 de Outubro de 2015 às 13:49
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O debate entre socialistas prossegue: desta feita, é Jorge Lacão quem responde a Francisco Assis, classificando a sua posição de "manifesto preconceito". "Fechar a porta a quem finalmente dá sinais de a querer abrir consistira num erro histórico", argumenta o antigo ministro.  

 

É através de uma carta aberta que Jorge Lacão resolveu responder ao seu "camarada e amigo" Francisco Assis, visto como porta-voz informal dos que, dentro do PS, estão contra um entendimento do PS com os partidos à sua esquerda. Num artigo publicado no Diário de Notícias, o ex-ministro diz que Assis revela um "manifesto preconceito" na sua posição.

 

Falando sempre na segunda pessoa do singular, começa por notar que Francisco Assis não coloca dúvidas de índole constitucional a um eventual acordo entre o PS e o PCD e o BE, como alguns críticos chegaram a apontar. As suas dúvidas são, sobretudo, políticas, mas enformam de um "manifesto preconceito" de quem acha que "todo o posicionamento político formalmente à esquerda do PS decorre tendencialmente de uma atitude irresponsável".

 

Agora que o PCP e o BE mostraram abertura para viabilizarem uma alternativa à esquerda, coisa inédita em Portugal, "creio pois pertencer-te a ti a posição menos construtiva, face a um eleitorado que quis maioritariamente a mudança", aponta Lacão.

 

Assis argumenta que não é possível confiar em quem tem uma atitude geneticamente antieuropeísta mas, contrapõe Jorge Lacão, essa afirmação precisa de ser confrontada pela atitude dos próprios interessados, que neste momento admitem que é preciso enveredarem pela arte do compromisso para evitarem que a direita volte a chegar ao poder.

 

E, "acontece que para fazer compromissos é necessário revelar maturidade e capacidade políticas. Acontece, meu caro Francisco Assis, que desta vez a arrogância, pelo menos à cabeça, está do teu lado, quando inviabilizas qualquer esforço de superação de um dos maiores traumas da esquerda portuguesa, o seu desentendimento crónico", sustenta Jorge Lacão. 

Em suma, "fechar a porta a quem finalmente dá sinais de a querer abrir consistiria num erro histórico". 
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