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Coligação só obteve licença para uso de figurantes nos cartazes quando estes já estavam nas ruas

A licença que permite o uso para fins políticos dos figurantes dos cartazes da coligação PSD/CDS-PP só foi obtida ao fim do dia de quarta-feira, revelou à Lusa a empresa Shutterstock, à qual as imagens foram compradas.

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 13 de Agosto de 2015 às 21:40
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"A licença destas imagens foi resolvida ao fim do dia de quarta-feira [...] com a compra de uma licença Premier da Shutterstock, a qual permite o uso de imagens num contexto político", informou esta quinta-feira fonte do gabinete de imprensa da empresa que detém as imagens.

 

A empresa prestou este esclarecimento numa resposta escrita enviada à agência Lusa e depois de lhe serem enviadas as imagens usadas nos cartazes da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP). Desde o início da semana que a utilização de figurantes estrangeiros em cartazes da coligação tem sido tema nas redes sociais e na imprensa.

 

Os quatro cartazes da coligação que utilizam quatro figurantes adultos estrangeiros chegaram há poucos dias às ruas e têm associadas frases como "crescimento do turismo", "recuperação da confiança, das empresas e dos consumidores", "recorde nas exportações" e "aumento do investimento e do emprego".

 

A mesma fonte explicou que até à obtenção desta licença era "estritamente proibido o uso do conteúdo [do banco de imagens] num contexto político", nomeadamente promoção, publicidade, ou apoio a qualquer candidato ou político eleito.

 

A Lusa tentou hoje obter uma explicação do PSD sobre a questão mas fonte do partido disse que os esclarecimentos já tinham sido prestados na quarta-feira. A Lusa também contactou o CDS-PP mas a fonte do partido esteve indisponível ao fim do dia de hoje.

 

Questionado por jornalistas na quarta-feira sobre se os cartazes de campanha da coligação Portugal à Frente para as eleições legislativas de 4 de Outubro seriam retirados das ruas, o vice-presidente Carlos Carreiras respondeu vincando que há "uma preocupação muito grande a nível da racionalização, ou seja, dos gastos de campanha".

 

"Recorrer a bancos de imagens é uma situação que já foi feita no passado" e que "é uma prática normal quando estamos a falar também de racionalização de meios financeiros", como uma "redução na ordem dos 40%" nos gastos em relação a outras legislativas, afirmou.

 

Questionado se não seria desrespeitoso para os eleitores serem estrangeiros a representar o PSD, o dirigente sublinhou que o "PSD já demonstrou que mesmo quando teve que tomar medidas que não são propriamente medidas populares, mas que eram absolutamente fundamentais para o país, sempre teve em conta o respeito que todos os portugueses nos merecem".

 

O gabinete de imprensa da Shutterstock assegurou ainda, numa primeira resposta enviada à Lusa, que a empresa "investiga todas as alegações de uso indevido de licença em nome dos seus colaboradores e age em conformidade", nomeadamente entrando em contacto com os clientes para resolver o problema, pondo dessa forma fim à utilização inapropriada.

 

"As nossas acções incluem, mas não se limitam a isso, ao contacto imediato com os clientes ou terceiros acusados de usar indevidamente os conteúdos, resolvendo o problema e pondo fim ao uso indevido", escreve fonte do gabinete de imprensa da empresa.

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