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Maior parte dos portugueses acha que próximo Governo não dura quatro anos

Há mais portugueses a achar que o próximo Executivo não cumpre os quatro anos de mandato do que aqueles que consideram que isso acontecerá. Mais: segundo uma sondagem da Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã, mais de um em cada quatro antecipa que o Governo durará um máximo de um ano.

Bloomberg
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 17 de Outubro de 2015 às 08:00
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O inquérito feito a 603 pessoas pretendeu concentrar-se nas expectativas para a próxima legislatura, no que diz respeito a prioridades do Executivo e duração do mesmo. A hipótese mais votada pelos portugueses foi que o mandato será cumprido até ao fim (42,5%). No entanto, quando somadas todas as outras hipóteses – menos de um ano (11,7%), um ano (15,7%), dois anos (18%) e três anos (2,7%) – obtêm-se um valor superior (47,9%). Há ainda 9,5% que não quiseram responder.

De referir ainda a grande percentagem de inquiridos que antecipa que o próximo Governo só estará em funções um máximo de 12 meses. O somatório dos que esperam um Executivo por menos de um ano e os que acham que durará um ano ascende a 27,2%. Mais de um quarto das pessoas questionadas.

A média de todas as respostas calculada pela Aximage, aponta para uma expectativa de duração da legislatura de dois anos e sete meses.

Se cruzarmos estas respostas com o voto dos inquiridos nas eleições legislativas, verifica-se que os que colocaram a cruz em Portugal à Frente (PàF) são os mais crédulos num Governo de quatro anos (47,6%). Os que votaram na CDU parecem ser os que menos acreditam nessa possibilidade. O caso do Bloco de Esquerda é interessante porque, segundo esta sondagem, a opção que os votantes no BE acham mais provável é uma legislatura de quatro anos, mas ao mesmo tempo é também o partido que regista a maior percentagem de pessoas que considera que o Governo nem um ano irá completar.

Importa sublinhar que estamos a falar de expectativas e não de preferências. Além disso, quando se está a tratar de amostras de 600 pessoas, o número de votantes nos partidos mais pequenos pode ser baixo, o que permite grandes flutuações nestas percentagens.

Outras das conclusões centrais desta sondagem da Aximage é que, para uma grande maioria dos inquiridos, a principal prioridade do próximo Governo deve ser o combate ao desemprego. Numa pergunta em que só podia ser dada uma resposta, 60,9% das pessoas elegeram essa hipótese. Em segundo lugar surge "combater o aumento do custo de vida" (19,1%), seguido por manter o défice orçamental abaixo dos 3% do PIB (7,1%).

Fazendo novamente o exercício de cruzar com a orientação do voto, existem algumas conclusões interessantes a retirar. Os votantes na PàF parecem ser os mais preocupados com as contas públicas. É nesse grupo que estão as percentagens mais elevadas de respostas que consideraram que a prioridade principal do próximo Governo deve ser manter o défice abaixo dos 3% (18,5%) e "antecipar os pagamentos da dívida à troika" (8,8%). São também os que menos preocupados estão com o desemprego, apesar de ser também a resposta mais dada (52,8%).

Os votantes no Bloco de Esquerda são os que mais exigem que a prioridade seja o desemprego. Entre os inquiridos desta sondagem que votaram no BE, 81% elege o mercado de trabalho como a área fundamental de actual do próximo Governo. 

Ficha técnica

Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.

Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 603 entrevistas efectivas: 298 a homens e 305 a mulheres; 115 no Interior Centro Norte, 158 no Litoral Centro Norte, 69 no Grande Porto, 168 em Lisboa e Setúbal e 93 no Grande Porto; 100 em aldeias, 157 em vilas e 346 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.

Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido entre os dias 7 e 10 de Outubro de 2015, com uma taxa de resposta de 85,5%.

Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 603 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 4,00%).

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