Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Maria Luís Albuquerque diz ser “incompreensível” que consumo faça crescer a economia

A ministra das Finanças foi à Universidade de Verão do PSD falar sobre a sustentabilidade das contas nacionais. Acabou por fazer um apanhado da governação PSD/CDS e lançar diversos alertas sobre as propostas do PS, que disse não compreender.

Bloomberg
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 25 de Agosto de 2015 às 15:42
  • Assine já 1€/1 mês
  • 124
  • ...

Maria Luís Albuquerque, que foi professora de Passos Coelho na Universidade Lusíada, foi esta tarde dar uma aula sobre o futuro das finanças públicas nacionais a uma centena de alunos da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide. E aproveitou para lançar várias críticas às propostas eleitorais do PS, que, acusa, não são mais do que as propostas do PS de José Sócrates e que "falharam tão rotundamente no passado".

 

A ministra começou a aula com uma explicação do estado do país antes de pedir o resgate: o défice "atingiu valores nunca vistos", na ordem dos 10% em 2010, "a dívida disparou e os mercados fecharam-se". Isto porque "apostou-se no aumento do consumo público e privado como se o país não tivesse problemas de endividamento externo".

 

Veio aqui a primeira farpa ao PS. "Só o facto de não ter percebido o que aconteceu, e depois de um programa de resgate duríssimo, pode justificar que o PS apresente hoje em 2015 de novo a mesma receita", atirou a chefe das Finanças.

 

Explicando, logo depois, que na sua função ministerial tem de afectar despesa a várias áreas, Maria Luís esclareceu que "a maior parte da despesa pública está determinada e é rígida no curto e médio prazo": é o caso dos "salários, pensões, juros", que "têm de ser pagos". E se "num ciclo de crescimento, a receita fiscal aumenta, e a receita e a despesa têm comportamentos equivalentes", em recessão a história é outra.

 

Em ciclos recessivos "a despesa aumenta e a receita cai, por vezes muito e muito rapidamente". Por isso, "em ciclos de recuperação económica a despesa deve ser contida". Por isso é que "defender que o aumento da despesa pública é gerador de riqueza em si mesmo é para mim incompreensível", argumentou a ministra, que recorreu aos resultados da última década para o provar.

 

"Durante primeira década da participação de Portugal no euro assistimos a um aumento continuado da despesa pública" e "crescemos 1% em média anual", um resultado entre os piores da Zona Euro, tendo sido alimentado um "défice persistente" nesse mesmo período.

 

Receita do PS é a que conduziu ao "desastre"

 

Portanto, "defender que o consumo privado é motor da economia e promove crescimento é também incompreensível". "Os factos falam por si: na primeira década no euro, o rendimento das famílias aumentou, também o consumo", mas sem resultados visíveis. "Como é possível que um partido se apresente com propostas que falharam tão rotundamente no passado?", dizendo que "agora resulta? Porquê? O mundo deixou de ser global?", questionou.

 

"Por que haveria os portugueses de acreditar que a mesma receita que conduziu ao desastre de 2011 ia dar resultados diferentes?", prosseguiu. Maria Luís deu a resposta: "o caminho tem de ser outro. A recuperação de rendimento tem de ser sustentada e sustentável".

 

É que "são as empresas que criam emprego". "O sucesso da estratégia que permitiu aumentar as exportações de 29% para 40% do PIB deve-se à capacidade dos nossos empresários, à sua visão e dinamismo", e por isso o Governo propõe "aprofundar esta visão".

 

A ministra diz estar consciente dos "desafios que as famílias enfrentam e que há muitos portugueses que não sentiram as melhorias no seu dia-a-dia. Mas a recuperação é consistente e dá esperança a todos", garante. Há vários sinais positivos, como o PIB a "crescer consistentemente" há vários trimestres, a descida do desemprego ou o facto de o défice estar "controlado".

 

Voltar a aumentar a despesa terá consequências piores que em 2011

 

"Iremos ter um défice inferior a 3%, podendo assim aceder à flexibilidade prevista nas regras europeias para fazer reformas estruturais ou investimento", acrescentou ainda. "A receita fiscal continua a aumentar em 2015 apesar da redução da taxa do IRC e quociente familiar" e "todos os dias são divulgados indicadores que provam a recuperação da economia", adiantou também, lembrando que "o reembolso antecipado ao FMI" permite "poupar centenas de milhões de euros todos os anos".

 

A ministra sublinha que é preciso trabalhar para que os "indicadores sejam cada vez mais robustos". "Não é fácil governar bem quando a economia recupera", e os "mercados estão vigilantes". "O que seria de Portugal se, nos próximos anos, se voltasse repentinamente a aumentar a despesa? A prometer tudo a todos? Iríamos acordar para realidade mais dura que em 2011", avisou a ministra.

Ver comentários
Saber mais Maria Luís Albuquerque eleições legislativas Universidade de Verão PSD PS
Outras Notícias