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Mário Centeno: "Economia portuguesa foi gerida com base no medo e na culpa"

O coordenador do cenário macroeconómico do PS considerou hoje que a economia portuguesa foi gerida com base na "culpa, medo" e "mitos", questionando como podem 41% dos trabalhadores viver acima das suas possibilidades com 6800 euros ano.

Mário Centeno. Pasta provável: Finanças
Bruno Simão
Lusa 06 de Junho de 2015 às 00:05
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Mário Centeno, doutorado por Harvard e quadro superior do Banco de Portugal, falava na sessão de abertura da Convenção Nacional do PS, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde no sábado será aprovado o programa eleitoral deste partido.

 

O professor universitário defendeu que o cenário macroeconómico do PS foi elaborado com "rigor e seriedade intelectual".

 

"Com esse rigor produzimos um relatório que todos puderam ler e questionar, foi 29 vezes questionado e 29 vezes respondido, sem réplica", sustentou, antes de criticar com palavras duras a política seguida pelo executivo PSD/CDS.

 

"A economia portuguesa foi gerida nos últimos anos com base no medo e na culpa. A primeira tarefa do grupo que coordenei foi diagnosticar, desmontar uma realidade construída com mitos", disse.

 

Segundo Mário Centeno, argumentou-se que os portugueses "viviam acima das nossas possibilidades e promoveu-se o maior aumento de impostos da nossa democracia".

 

"Reduziram-se as prestações sociais e os salários para criar em Portugal os trabalhadores pobres, os mais competitivos na retórica vigente. Aqueles a quem a elevada precarização das relações laborais impede, em cada ano, de ganhar mais do que o salário mínimo nacional. São 41% dos trabalhadores portugueses. Conseguirão 41% dos portugueses viver ‘acima das suas possibilidades' recebendo menos de 6800 euros por ano?", perguntou o coordenador do cenário macroeconómico do PS.

 

Para Mário Centeno, Portugal tem de "eliminar todos os obstáculos ao crescimento da produtividade, que impedem os trabalhadores portugueses de ambicionar salários mais próximos dos nossos parceiros europeus".

 

"Para isso propomos a criação de um Complemento Salarial Anual - uma prestação que vai ajudar quem trabalha a sair da pobreza", referiu, antes de eleger a Segurança Social.

 

"A sua sustentabilidade depende do crescimento económico. Emigração, empobrecimento, desemprego e precariedade são sinónimos de destruição do Estado Social", defendeu.

 

Mário Centeno referiu-se depois a algumas das propostas mais polémicas presentes no cenário macroeconómico do PS nos domínios da Segurança Social e legislação laboral.

 

"O desemprego em Portugal não subiu por causa do aumento dos despedimentos. O desemprego subiu porque as empresas deixaram de contratar trabalhadores", contrapôs.

Por essa razão, segundo o coordenador do cenário macroeconómico, foi proposta pelos socialistas "a redução do âmbito dos contratos a prazo - o maior flagelo do mercado de trabalho -, o agravamento da taxa contributiva para as empresas com rotação excessiva de trabalhadores e um novo procedimento conciliatório que aumente a transparência na cessação da relação laboral".

 

"Mas propomos, também, um desagravamento fiscal, nomeadamente no IRS e nas taxas contributivas para a Segurança Social, aliviando restrições de liquidez de empresas e trabalhadores", acrescentou.

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