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Mira Amaral: "Não estou a ver como o PCP aguenta quatro anos de apoio ao Governo"

O CEO da Banco BIC alerta para as dificuldades de entendimento entre os três partidos de esquerda, realçando as incompatibilidades em torno de questões ideológicas, como a integração europeia.

Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 05 de Novembro de 2015 às 14:22
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A formação de um Governo de esquerda é uma possibilidade, mas Mira Amaral duvida que um acordo entre os três partidos de esquerda – PS, BE e PCP – seja suficientemente sólido para aguentar um mandato de quatro anos. No entanto, a concretizar-se um acordo à esquerda, o presidente do Banco BIC diz que teria sido "preferível que não houvesse coligação e o PS tivesse uma maioria nas eleições".

"O Governo que saiu conseguiu conduzir de forma esforçada o programa de ajustamento, mas o trabalho de casa não foi todo feito. Falta a reforma do Estado", argumenta Mira Amaral, a falar numa conferência organizada pela Connect Your Future esta quinta-feira, 5 de Novembro.

O líder do BIC realça, porém, que "não vale a pena dramatizar" em torno de um Governo de esquerda, ainda que antecipe muitas dificuldades para (um Governo de esquerda) se compatibilizar em torno dos compromissos europeus.

"Não estou a ver como o PCP aguenta quatro anos de apoio ao Governo", nota o antigo ministro da Energia e do Trabalho, sublinhando as diferenças de fundo nas ideologias dos partidos de esquerda. Mira Amaral teme ainda que "em termos laborais os avanços vão ser postos em causa".

Já em relação ao BE, Mira Amaral atira que o partido está actualmente na fase 1 do Syriza, passando depois para a fase 2, se vier a integrar o Governo, e "depois espero que chegue à fase 3 do Syriza, quando assinou o acordo" com a troika.

Instabilidade agrava risco
Ao contrário do líder do BIC que não se mostra demasiado preocupado com a actual indefinição política no país, Vasco José de Mello assume a sua preocupação. O CEO do grupo José de Mello considera que "Portugal está numa situação frágil", em que Estado e empresas mantêm um "endividamento elevadíssimo".

"Portugal precisa atrair investimento e isso só é possível com confiança, previsibilidade e estabilidade", alerta o empresário, acrescentando que na falta desta estabilidade "aumenta muito o risco" da República.

Para Luís Laginha de Sousa, presidente da Euronext Lisbon, a questão da incerteza é o maior problema. "Os agentes do mercado têm enorme dificuldade em lidar com a incerteza, é importante que tenham uma percepção exacta do que vai acontecer", rematou.

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