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Passos Coelho atira negociações com o PS para o Parlamento

O presidente do PSD está convencido que deve ser indicado para formar Governo e pôs um ponto final nas negociações com o PS. Um eventual entendimento fica agora reservado para o debate parlamentar. E o PS tem o dever de fazer concessões, frisou.

A comitiva do PSD, liderada por Pedro Passos Coelho, esteve reunida pouco mais de meia hora com Cavaco Silva.
Miguel Baltazar/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 20 de Outubro de 2015 às 16:01
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Já não há mais negociações entre a coligação e o PS. Passos Coelho afirma que os entendimentos com o PS estarão reservados para a arena parlamentar, porque "não foi possível obter da parte do PS uma clarificação". "A nossa confiança é que o PS não deixará, em sede parlamentar, de assumir as suas responsabilidades, como partido derrotado que foi" mas também como partido "de grande implantação".

 

Do lado da coligação continua a haver uma "posição de abertura ao compromisso e ao diálogo". Mas "toda a gente deve fazer concessões": não só os partidos que ganharam (PSD/CDS) devem ceder como "aqueles que perderam devem fazer alguma concessão para se aproximar daqueles que ganharam". Mas do lado do PS não chegou a surgir "uma contraproposta que nos pudesse habilitar a encetar negociação produtiva".

 

Apesar disso, Passos Coelho está convencido de que existem "condições em sede parlamentar para que os resultados das eleições possam ser respeitados e o Governo possa obter, no terreno parlamentar, as condições necessárias para que o país tenha um período de estabilidade". O presidente do PSD esteve reunido ao início da tarde com o Presidente da República, e no final, em declarações aos jornalistas, atirou para o PS a responsabilidade de sustentar o actual Executivo.

 

Até porque esse cenário não é novo. "Já no passado aconteceu: Governos que não detinham a maioria absoluta governaram e alguns até durante toda a legislatura", exemplificou. "Curiosamente isso aconteceu mais do que uma vez com Governos do PS e com a viabilização parlamentar quer do PSD quer CDS", sustentou Passos Coelho.

 

"Já no passado tivemos no nosso país Governos que saíram naturalmente das eleições como vencedores, e que governaram com espírito de compromisso, procurando, na oposição que lhe é mais próxima, as condições para governar com estabilidade", recordou Passos Coelho, numa referência ao PS.

 

"Espero que isso seja respeitado também com o Governo que emerge naturalmente destas eleições", afirmou Passos Coelho, apelando ao apoio do PS. "O PSD e o CDS ganharam inequivocamente estas eleições, tal como é inequívoco que o PS perdeu". E a "prática mostra que a força que ganhou as eleições possa formar Governo" e que sejam criadas condições para governar.

 

Passos dramatiza: sem estabilidade, recuperação está em risco

 

A comitiva do PSD, liderada por Passos Coelho, esteve reunida pouco mais de meia hora com o Presidente da República, e transmitiu ao chefe de Estado que tem a expectativa "que venha a ser, no imediato, empossado um Governo que tenha na base política da sua constituição os partidos que integram a coligação Portugal à Frente". Passos disse ainda a Cavaco Silva que "é muito importante que este mandato possa ser exercido em condições de previsibilidade e estabilidade".

 

Esse é um requisito que é "indispensável à recuperação económica e financeira do país e à recuperação do emprego". Isto porque "se o país não tiver condições de previsibilidade, de estabilidade governativa, o que acontecerá é que haverá um adiamento das decisões de investimento em Portugal".

 

Nessa situação de instabilidade política, avisa Passos, "a maior parte dos agentes económicos, nacionais ou não, adiarão as suas decisões à espera de uma clarificação politica. Isso só penalizará o investimento e a nossa capacidade para crescer". Mas não só: "cremos também que a própria posição externa poderia ser colocada em causa se o país não estivesse em condições de assumir um caminho de saneamento das finanças públicas e de desendividamento público".

 

Por isso é "indispensável" que "haja celeridade na forma como este processo se deverá desenvolver". "A nossa expectativa é que os sacrifícios que foram feitos não sejam colocados em causa e que possamos estar habilitados a, tão rapidamente quanto possível, ver o próximo Governo confirmado em sede parlamentar" e em "condições de apresentar uma proposta de orçamento que venha a acolher" apoio maioritário.


Notícia actualizada às 16:14 com mais informação

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