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Portas: "Numa coligação a três, deixaria de ser o número dois"

O líder do CDS, Paulo Portas, afirmou esta segunda-feira, 19 de Outubro, que colocaria o seu lugar à disposição numa situação de coligação entre o PSD/CDS e o Partido Socialista, sublinhando que se trata de uma questão de governabilidade.

Para Passos Coelho, seria 'imperdoável que o país não estivesse em condições de tirar pleno partido de todos os sacrifícios que nos permitiram chegar a este resultado [défice abaixo de 3%] e deixar o país sem orçamento [do Estado] para 2016'.
Miguel Baltazar/Negócios
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 19 de Outubro de 2015 às 21:19
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O líder do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou esta segunda-feira, 19 de Outubro, numa entrevista à TVI, que colocaria o seu lugar à disposição numa situação de coligação entre o PSD/CDS e o Partido Socialista. "Isto não é uma questão de lugares, é uma questão de governabilidade. Numa coligação PS-PSD-CDS é claro que eu não estaria na posição de número dois do Governo", afirmou Paulo Portas.

"Para evitar um cenário de instabilidade crónica, que o país volte a ser um problema na Europa e garantir que os sacrifícios não sejam deitados fora, com certeza que se tivesse de deixar de ser o número dois, eu deixaria", garantiu, aproveitando para acusar o líder socialista, António Costa, de falta de humildade, desde o momento em que perdeu as eleições de dia 4 de Outubro.

"Colocou o seu lugar à disposição? Não. Fez uma contraproposta à coligação? Não fez. Aceitou uma coligação a três?", questiona Portas sobre o líder socialista, para acrescentar que tal posição revela "muito pouca humildade para quem perdeu [as eleições legislativas]".


Paulo Portas voltou a sublinhar que "quem ganhou as eleições deve ter mandato para governar e formar Governo". Reiterando assim a legitimidade da coligação PSD/CDS de formar Governo e assumir o comando no Palácio de São Bento. "Há uma questão de interpretação dos resultados. A interpretação que a coligação faz é esta: os portugueses querem que a coligação governe, e que, sem a maioria absoluta, governe com base em compromissos". "É preciso estar à altura da manifestação de vontade que os portugueses fizeram. E a interpretação que o PS tem feito dessa vontade é incorrecta", acusa Portas.

Para o líder do CDS, o PS insinua que os resultados impedem a coligação de governar, "e isso é muito perigoso", diz. "Temos de estar à altura da vontade expressa dos portugueses. A mim parece-me que não há uma maioria absoluta do Governo, mas há uma maioria absoluta para o Euro, pró-projecto europeu", afirmou, apontando as principais diferenças entre os partidos da esquerda que estudam um possível acordo governativo. 

"O povo português, seja ele esquerda ou direita ou abstencionista, uma coisa compreende: não faz sentido que quem ganhe as eleições vá para a oposição e que quem perde vá para Governo". O número dois da coligação PSD/CDS acrescenta ainda que esse cenário é uma "inversão da democracia". "As pessoas sentem que o seu voto foi sequestrado", justifica. "É a primeira vez que a regra básica da democracia está em causa", assevera. "O povo votou. Saibamos obedecer à vontade do povo", concluiu.



PS não apresentou propostas, acusa Portas

O líder do CDS acusou o líder socialista de não ter apresentado, até agora, "nenhuma contraproposta para chegar a um acordo", limitando-se a criticar o "documento facilitador" de compromisso que a coligação PSD/CDS enviou ao PS. "O país não pode ter uma solução de um Governo durante seis semanas ou seis meses. Tem de haver responsabilidade e boa vontade". Sobre a disponibilidade do Partido Socialista, Paulo Portas afirma: "não obtivemos do PS um comportamento recíproco". "Não podemos voltar a Governos de seis meses. Em economia aberta, a desconfiança no investimento destabilizam num segundo".

"Não houve nenhuma contraproposta por parte do PS". Quando se está em negociação espera-se que exista da outra parte uma reacção, apontado os pontos relevantes e os pontos de discordância, bem como a apresentação de pontos alternativos e ordens de prioridades, explicou Portas. "Tem de haver uma dupla boa vontade. Nada disso aconteceu", acusou o líder do CDS.

"A matéria da educação para adultos [um dos pontos de discordância apontados pelo PS], que não deixa de ser importante, é um entrave. E o Euro, o projecto europeu e a NATO não são?", questiona Portas, referindo-se a compromissos que são questionados pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda.

(notícia em actualizada às 22:21)

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