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Presença do BE num Governo PS ainda não foi debatida, diz Catarina Martins

A porta-voz do Bloco de Esquerda esteve esta quinta-feira na TVI24 onde comentou a actualidade política e um acordo à esquerda, no dia em que Cavaco Silva anunciou que indigitou Passos Coelho como primeiro-ministro.

Um Governo que 'não tenha Pedro Passos Coelho nem Paulo Portas, que vire a página da direita e que permita proteger emprego, salários e pensões', e cuja forma 'será conhecida logo que possível', em 'um dia ou dois'.
Miguel Baltazar/Negócios
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 22 de Outubro de 2015 às 21:43
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"As pessoas não querem saber de que partido é um ministro". As palavras são de Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, em entrevista à TVI24, que afirma que uma presença do Bloco num, ainda, possível futuro Governo de esquerda ainda não foi discutida, e que não é uma prioridade.

Questionada sobre uma possível traição à vontade dos eleitores do Bloco de Esquerda, Catarina Martins responde: "dissemos que se tivéssemos força para isso não deixaríamos a direita governar. Levamos a sério os dois compromissos". Catarina Martins nega sentir que está a desrespeitar o seu eleitorado, destacando três pontos que estabeleceu como essenciais para um acordo com o Partido Socialista.

Os três pontos essenciais passam por" a
cabar com as medidas que descapitalizam a Segurança Social, não retirar rendimentos aos pensionistas, pois como sabemos a direita quer cortar e o PS congelar, e em terceiro lugar não permitir o regime conciliatório para o despedimento", disse. "A estas três condições e esta primeira fase o PS respondeu de uma forma satisfatória", sublinhou.

"Estamos em via de encontrar um valor [para o salário mínimo] ", afirmou Catarina Martins, recusando-se a falar em valores concretos, limitando-se a dizer que está "muito bem encaminhado para um valor progressivo". Sobre os outros pontos, repetiu "é um valor que está em análise". A porta-voz do Bloco elogiou, várias vezes, o Partido Socialista, pela sua disponibilidade nas negociações. 

"O programa do PS não é um programa igual à direita, e daí ser impossível um acordo entre o BE e a direita. Mas é um programa que estava muito mais assente em congelar rendimentos e não na sua recuperação. Com as negociações que estamos a fazer, o que estamos a garantir é uma recuperação de rendimentos, salários e pensões", garantiu a representante bloquista. 


"As medidas que nós propomos não colocam em causa o quadro macroeconómico que o PS sufragou, por motivos óbvios que têm a ver com a relação de forças, o que não quer dizer que o BE não continue a propor medidas", disse, não deixando de salientar que tal postura não coloca em causa a estabilidade de um acordo à esquerda.

Sobre os ajustamentos do programa socialista para a concretização de um acordo com o BE, Catarina Martins explica que "são medidas que estão muito compensadas porque o Governo não é um Governo do BE". "Não estamos a impor o nosso programa. Não desistimos dele, mas não deixamos de assumir a responsabilidade de viabilizar um Governo que não sendo um Governo do BE, não fazendo aquilo que nos achamos essencial, possa responder à urgência social já", sustenta. 

"Estamos a elencar as medidas que dão a garantia de solidez. O BE está empenhado numa solução de estabilidade de quatro anos", afirmou, não afastando no entanto a possibilidade de desfazer o acordo caso existam compromissos políticos com que não concordem.

A propósito da posição do PCP e BE a propósito das políticas europeias apontadas no discurso de Cavaco, Catarina Martins afirmou não ter "aberto mão das questões europeias", mas destacou que a prioridade do partido era não abrir mão "da urgência social". 

(notícia actualizada às 22:40)

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