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PS deixa Passos governar sozinho se não conseguir acordo

É a terceira via: se não conseguir acordos nem do lado da coligação, nem junto de PCP e Bloco, o PS vai permitir que um Governo liderado por Passos Coelho tome posse.

13 de Outubro - Por agora, não ficou agendado mais nenhum encontro entre a coligação e o Partido Socialista.
Miguel Baltazar/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 14 de Outubro de 2015 às 10:14
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António Costa já o tinha deixado claro no dia em que perdeu as eleições: "não inviabilizaremos um Governo sem termos um Governo para viabilizar". Depois disso começou a negociar com a coligação e a esquerda, encontros que tiveram diferentes resultados: se as reuniões com PSD e CDS têm sido "inconclusivas", com PCP e Bloco foram "muito produtivas". Mas isso não quer dizer que o acordo esteja garantido com uns e excluído com outros. Nem que tenha de haver acordo.

 

O que parece ser certo é que, num cenário em que não seja possível obter um acordo com ninguém, Costa vai dar oxigénio ao um Governo minoritário da direita. O mesmo é dizer que não vai votar favoravelmente uma moção de rejeição ao programa de Governo, já prometida pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda. Segundo o Público, isso deixaria a coligação de Passos e Portas com o ónus de governar sem garantias de estabilidade.

 

Esta terça-feira, no final da reunião com a coligação, António Costa reiterou isso mesmo: que "o PS não contribuirá para maiorias negativas que inviabilizem o Governo e não tenha alternativas". "Não deixaremos o país cair na ingovernabilidade. Não contribuiremos para o pântano em que o país cairia".

 

O Presidente da República deverá ouvir os partidos nos próximos dias e indigitar o primeiro-ministro, que tudo indica que vai ser Passos Coelho. Mas, antes da indigitação, Cavaco Silva vai querer dar tempo às negociações entre os partidos, antecipa o Público. O objectivo é que exista um acordo de estabilidade para a duração da legislatura, preferencialmente entre a coligação e o PS, acrescenta o Público.

 

Governo de esquerda será um "enorme desastre"

Ora, quanto a isso, as opiniões dividem-se. O ex-ministro Marçal Grilo, por exemplo, considera que "o país está entalado". Grilo, que foi ministro da Educação de António Guterres, diz mesmo que um Governo de esquerda "será para o país um enorme desastre", porque "o risco que temos é que os mercados tenham uma reacção muitíssimo negativa em relação a Portugal", afirmou, em entrevista à Rádio Renascença.

 

Já António Capucho, ex-presidente da Câmara de Cascais e ministro no Governo de Bloco Central de Mário Soares, considera que um entendimento à esquerda é um cenário possível e prefere não ser "profeta da desgraça". "Se for essa a solução, é constitucional e decorre certamente da impossibilidade que o PS teve de acertar agulhas com a maioria actual", refere. Capucho foi expulso do PSD em 2014.

O "derrotado mais feliz" da política portuguesa

Do lado da coligação, há quem não perdoe a Costa a estratégia que está a empregar na negociação. Carlos Carreiras, vice-presidente do PSD e ex-presidente da distrital de Lisboa, chama a António Costa "o derrotado mais feliz da política portuguesa" e acusa-o de já ter "casamento prometido com a esquerda radical", e de promover uma "encenação" nas reuniões com a coligação. "Costa está a dar baile à coligação, a ser manhoso e a utilizar a maior perversão política", critica.

Carreiras, que negociou com Costa a reforma das freguesias em Lisboa, acrescenta que Costa "é um engano permanente" e um "homem sem estratégia, sem norte e, já não restam dúvidas, sem palavra e sem honra".

O candidato presidencial Paulo Morais, por outro lado, afirmou à Lusa que "não teria problema nenhum" em viabilizar um Governo de esquerda, "desde que houvesse um quadro estável".

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