Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Voto útil em Sampaio da Nóvoa penaliza candidato do PCP

Jerónimo de Sousa afasta qualquer influência do acordo à esquerda no fraco resultado eleitoral reunido por Edgar Silva. O líder do PCP acredita que os comunistas optaram por "investir" o seu voto no candidato Sampaio da Nóvoa.

Miguel Baltazar/Negócios
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 26 de Janeiro de 2016 às 21:38
  • Assine já 1€/1 mês
  • 10
  • ...

O fraco resultado obtido pelo candidato Edgar Silva nas eleições presidenciais do último domingo, 24 de Janeiro, resultou em parte da transferência de votos do eleitorado comunista para a candidatura de António Sampaio da Nóvoa. Esta é a análise do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, em declarações após reunião do Comité Central, esta terça-feira, 26 de Janeiro.

Para o Partido Comunista, o resultado do candidato presidencial comunista, que se ficou pelo 5.º lugar nas eleições com 3,95% dos votos, foi prejudicado pela adesão dos eleitores e simpatizantes comunistas a Sampaio da Nóvoa, uma estratégia "que acabou por se traduzir num ganho pequeno e na redução da votação no meu camarada Edgar Silva". "É uma constatação de factos", conclui.

Jerónimo de Sousa considerou que "o objectivo declaradamente assumido de derrotar o candidato de PSD/CDS [Marcelo Rebelo de Sousa]", cuja eleição para Presidente da República "constitui na actual fase da vida politica nacional um factor negativo que não pode deixar de suscitar legitimas inquietações" foi entendido por "democratas e patriotas como uma expressão do seu voto na candidatura de Sampaio da Nóvoa na primeira volta, antecipando aquilo que apenas se colocaria na segunda volta, afectando assim o resultado de Edgar Silva".

cotacao Muitos perspectivaram que o melhor era reforçar a candidatura de Sampaio da Nóvoa, que acabou por se traduzir num ganho pequeno e na redução da votação no meu camarada Edgar Silva. Jerónimo de sousa Secretário-geral do PCP



O secretário-geral registou ainda que "a insistente proclamação antecipada da vitória de Marcelo Rebelo de Sousa" terá "contribuído para conduzir à abstenção de muitos milhares de eleitores".

O líder comunista não deixou de elogiar "a intervenção" do candidato do PCP e considera que os portugueses se viraram muito tarde para a questão das presidenciais, tendo em conta a situação política nacional da formação de Governo "e todo o processo que se seguiu".

"A decisão de ter voz própria na batalha das presidenciais foi uma decisão do Congresso", clarificou o secretário-geral. "Procurámos dar a nossa contribuição. É de valorizar o esforço e empenhamento" e adiantou ainda que o partido irá cobrir toda a despesa da campanha de Edgar Silva, uma vez que o candidato não atingiu os 5% dos votos necessários para aceder à subvenção estatal.

PCP não é um partido "de bandeirinhas"

O líder do PCP não deixou no entanto de tecer críticas à direita "que levaram a que o PS tenha dado continuidade a processos que colidem com o interesse nacional, mas sublinha também que alguns dados e opções presentes nas previsões macroeconómicas que estruturam o Orçamento continuam "amarrados a constrangimentos presentes na política de anteriores governos".

Ainda assim, Jerónimo de Sousa elogiou ainda o papel do partido nos últimos meses, na aplicação de um conjunto de medidas do Governo, nomeadamente na abertura de "caminho para a fixação do horário de trabalho nas 35 horas para todos os trabalhadores na Função Pública, independentemente do seu vínculo".

Questionado sobre essas mesmas contribuições para o Orçamento de Estado do Governo e os avanços sobre as 35 horas, Jerónimo recusou-se a adiantar pormenores.

"Nós temos uma posição de grande seriedade. Não levantamos a bandeirinha de vir para a comunicação social dizer conseguimos isto, conseguimos aquilo. Não o fazemos, como sabem. Mantemos esta postura reservada, reservando o que é para reservar, publicando o que é para publicar. Também isto acho que leva que o próprio Partido Socialista considere benigno este comportamento do PCP, que dá contribuição, que faz crítica, com o sentido de construção, obviamente."

Que futuro para o PCP?

"Tenho lido na imprensa que a temperatura iria estar quente aqui na rua Soeiro Pereira Gomes [sede do PCP]. Só se for por causa do ar condicionado", desvalorizou Jerónimo de Sousa. "Está um ambiente ameno e construtivo, de grande convergência, unidade e coesão", garantiu sem adiantar se existirá uma mudança na liderança do partido, mas afirmando que, para já, não parece previsível.

"Não há nenhum elemento de perturbação ou posicionamentos críticos", mas antes "um momento de reflexão, análise e perspectiva de intervenção para a frente, na preparação do XX Congresso. 

Ver comentários
Saber mais Presidenciais Edgar Silva PCP Jerónimo de Sousa Partido Comunista Comité Central Sampaio da Nóvoa PSD Partido Socialista política partidos e movimentos
Mais lidas
Outras Notícias