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Fim dos debates presidenciais marca uma certeza: a corrida a Belém não está a ser o passeio que todos pensavam

No último dia de debates televisivos, Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa estiveram este sábado, 9 de Janeiro, frente-a-frente na TVI, no dia em que o primeiro-ministro apelou aos portugueses que votem num dos dois candidatos.

Correio da Manhã
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 09 de Janeiro de 2016 às 22:43
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No último frente-a-frente da pré-campanha entre os candidatos às eleições presidenciais de dia 24 de Janeiro, Sampaio da Nóvoa e Maria de Bélém, ambos candidatos conotados com a esquerda, reafirmaram algumas das suas diferenças, com Maria de Belém a destacar a sua experiência política nos "últimos 40 anos". Sampaio da Nóvoa respondeu com a carta de "independência política num momento em que os portugueses precisam de uma renovação da vida política" e acusou a antiga ministra da Saúde de "hesitação" em várias matérias.

No debate transmitido pela TVI este sábado, 9 de Janeiro, os dois candidatos presidenciais comentaram a declaração de António Costa, primeiro-ministro e secretário-geral do PS, pediram-se esclarecimentos sobre o "tempo novo", e discutiram o papel do Presidente da República. No final do debate, que encerra o ciclo, os dois candidatos consideram Marcelo Rebelo de Sousa o seu principal adversário. Sampaio da Nóvoa sublinhou: a corrida a Belém não é o passeio que todos esperavam e ainda nada está decidido. 

Os dois candidatos reagiram às declarações deste sábado do primeiro-ministro que, apesar de concordar que para os socialistas não é indiferente quem será o próximo Presidente da República, reafirmou no discurso de abertura da Comissão Nacional do PS que não apoiará nenhum dos candidatos, mas apelou aos portugueses que, no próximo dia 24 de Janeiro, escolham entre Maria de Belém ou Sampaio da Nóvoa

Apesar de nenhum dos dois reunir o apoio do Partido Socialista, os candidatos trocaram argumentos a propósito do apoio às candidaturas. "Sampaio da Nóvoa assume-se como independentista, o que acho errado", considerou Maria de Belém, que sublinhou a sua militância no partido socialista. O antigo reitor respondeu lembrando os apoios dos antigos Presidentes da República socialistas, Mário Soares e Jorge Sampaio e sublinhou a sua "enorme abragência de muitas pessoas que se sentam à esquerda, centro e direita". Sampaio da Nóvoa aproveitou o momento para apontar "divisões internas" entre os socialistas como base da candidatura da antiga presidente do PS. 

"Não 
vale a pena tapar o Sol com a peneira: foi uma candidatura que surgiu numa situação de incómodo", analisa Sampaio da Nóvoa. "Ela foi construída por um conjunto numa base em que as pessoas nunca acreditaram neste tempo novo e nesta maioria parlamentar que se construiu", considera o antigo reitor da Universidade de Lisboa, apontando várias hesitações à candidata socialista. "Maria de Belém foi repetindo hesitações sobre isso, até quando estava já tudo resolvido, no dia 18 de Dezembro. Então aí veio declarar o apoio [à maioria parlamentar de esquerda]. Acertar no totobola à sexta-feira é muito fácil".


"O Presidente da República
 deve ser uma pessoa que tenha causas muito claras sobre a Constituição, sobre os seus valores. Um Presidente que afirma as suas ideias, que não defenda tudo e o contrário de tudo, mas que tenha ideias muito claras e depois consiga ser abrangente", acrescentou Sampaio da Nóvoa.

Maria de Belém defendeu-se. "O facto de ser militante do PS não me retira nenhuma autonomia e independência", alegando vantagem na corrida presidencial graças à sua experiência política. "Considero que o facto de ter desempenhado muitas funções quer na área pública quer na política me deu experiência e maturidade do que conheci institucionalmente", sublinhando que esteve em "todas as causas" nas últimas quatro décadas destacando que nunca viu Sampaio da Nóvoa presente em nenhuma delas. "Não dei conta dele. Nunca o vi lá", completou. 

Questionado sobre hipotéticos cenários futuros e a sua actuação enquanto Chefe de Estado na dissolução da Assembleia da República, Sampaio da Nóvoa respondeu: "traçar cenários hipotéticos não é bom para a política, não é bom para os portugueses" e que "na altura própria o Presidente deve estar preparado". Já a antiga ministra da Saúde considerou que em Belém deve estar "alguém que tem influência, mas não interferência", e que todos devem "trabalhar no sentido da estabilidade governativa".

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