Presidenciais Marcelo, Tino de Rans e Jorge Sequeira recusam máquinas partidárias

Marcelo, Tino de Rans e Jorge Sequeira recusam máquinas partidárias

Os candidatos presidenciais Marcelo Rebelo de Sousa, Vitorino Silva (Tino de Rans) e Jorge Sequeira assumiram-se como independentes de máquinas partidárias, durante um debate televisivo marcado pelo abandono, em directo, de Cândido Ferreira, por discordar do modelo imposto.
Marcelo, Tino de Rans e Jorge Sequeira recusam máquinas partidárias
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 02 de janeiro de 2016 às 11:22
No início do debate, na estação TVI24, na sexta-feira, 1 de Janeiro, o candidato Cândido Ferreira, após ler uma carta, na qual considerava "discriminatório" o modelo dos debates, o tratamento e o tempo de antena dado a todos os candidatos à Presidência da República, levantou-se a abandonou o programa, em directo.

Com o debate reduzido a três candidatos, Marcelo Rebelo de Sousa, Vitorino Silva, conhecido por Tino de Rans, e o psicólogo Jorge Sequeira, a discussão decorreu de forma serena, durante a qual foram muito mais as semelhanças do que as diferenças entre as três candidaturas, que recusaram estar dependentes de partidos políticos.

"Ainda bem que as candidaturas presidenciais não são partidárias", defendeu Marcelo Rebelo de Sousa, para quem o facto de haver dez candidatos a Belém é "sinal de mais democracia".

Tino de Rans, antigo presidente da Junta de Freguesia de Rans, concelho de Penafiel, distrito do Porto, eleito pelo Partido Socialista (PS), assumiu que dispensaria o apoio do PS.

"Mesmo que o PS me quisesse apoiar eu não queria. Não quero estar ligado às máquinas políticas. Quero ser um Presidente da República livre, sem estar hipotecado a ninguém. Os políticos têm de deixar de ser uma vedeta", frisou o também calceteiro na Câmara Municipal do Porto, que entretanto suspendeu as funções para se dedicar à campanha eleitoral.

Tino de Rans diz que não se "identifica com o PS, nem com o seu secretário-geral, António Costa", nem com os candidatos presidenciais Henrique Neto e Maria de Belém.

Já o candidato Jorge Sequeira apelou a uma maior responsabilização e defendeu uma aposta na meritocracia em detrimento da partidocracia, considerando um "ato de coragem" a apresentação de dez candidaturas.

"Sou um político apartidário. Não quero viver num país em que a política seja dada apenas aos políticos. Assim a democracia sai coxa", sustentou o psicólogo.

Em relação a uma eventual revisão da Constituição, nomeadamente no que diz respeito aos poderes atribuídos ao Presidente da República, Jorge Sequeira e Marcelo Rebelo de Sousa têm a mesma opinião: os poderes são suficientes e a Constituição serve vezes demais de "bode expiatório" e de "desculpa" para os políticos e principalmente para quem Governa.

Questionado sobre quem é o seu principal adversário, Tino de Rans não tem dúvidas. "É este homem que está aqui ao meu lado", afirmou, apontando para Marcelo Rebelo de Sousa. "Vamos estar frente a frente na segunda volta. Temos muita força e sinto isso no terreno", assegurou o calceteiro, acrescentando que, caso seja eleito, "vai devolver o Palácio de Belém" ao povo, pois é muito grande para apenas uma família.

Jorge Sequeira disse, por seu lado, que não se candidatou a Presidente da República "para jogar às damas", garantindo que é o "homem certo para o lugar incerto". "Tenho um sonho", disse, repetindo a mesma frase em inglês, "I have a dream", antes de acrescentar: "Não deixem que pequenas pessoas matem sonhos grandes".

O debate teve início às 23:30 de sexta-feira e terminou pelas 00:15 de sábado, 2 de Janeiro.

O abandono em directo

O início foi, no entanto, marcado pela declaração de Cândido Ferreira, que depois de ler uma declaração saiu em directo do programa, para afirmar a sua discordância quanto à divisão dos candidatos presidenciais em três grupos, "impedindo que todos debatam com todos", criticando a RTP, canal de serviço público, por participar neste modelo, e dizendo saber que "este combate é muito desigual".

"Não me resignarei perante tão profunda e injusta discriminação", declarou o candidato, que considerou que essa mesma discriminação "ficará para sempre a envergonhar esta eleição e a reduzir a democracia em Portugal".

Cândido Ferreira declarou que "um presidente da República corajoso e isento, como Portugal precisa, terá de ser o primeiro a não ter medo e a promover o princípio da igualdade", acrescentando que "nunca poderá ser bom presidente quem faz de conta que nada disto é com ele".

"Retiro-me serenamente, mas com mágoa, deste programa", disse antes de abandonar o estúdio onde deveria debater o seu programa eleitoral com Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sequeira e Vitorino Silva, conhecido por Tino de Rans, afirmando ainda que essa é a "única atitude digna" de quem pretende jurar defender a República.

Após a saída de Cândido Ferreira, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou concordar com a atitude do candidato que abandonou o programa e manifestou mais uma vez a disponibilidade para debater individualmente com os candidatos.

Cândido Ferreira dirigiu na quinta-feira uma carta aos restantes candidatos presidenciais a convidá-los a recusarem os critérios dos debates televisivos, que considerou discriminatórios.

Em causa está a divisão dos candidatos em três grupos para os debates nas três televisões (RTP, SIC e TVI) que, para Cândido Ferreira, são "injustificados e sobretudo antidemocráticos".

O primeiro grupo é composto pelos candidatos Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, o segundo, por Paulo Morais, Henrique Neto, Marisa Matias e Edgar Silva.

Do terceiro grupo constam Cândido Ferreira, Jorge Sequeira e Vitorino Silva.

Cândido Ferreira considera que o terceiro grupo é discriminado de uma forma "flagrante", já que é o único cujos candidatos não podem debater individualmente com os do primeiro grupo - Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém.



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