Presidenciais Na corrida a Belém já são 14 os candidatos

Na corrida a Belém já são 14 os candidatos

A cerca de três meses do final do mandato do actual Presidente da República são já catorze os candidatos que anunciaram a intenção de entrar na corrida a Belém. Saiba quem são.
Na corrida a Belém já são 14 os candidatos
Correio da Manhã
Lusa 09 de outubro de 2015 às 18:41

O mais recente anúncio sobre este sufrágio, que deverá realizar-se no final de Janeiro do próximo ano, aconteceu esta sexta-feira, 9 de Outubro, por parte de Marcelo Rebelo de Sousa. Em reflexão encontram-se ainda os antigos dirigentes do PSD Rui Rio e Alberto João Jardim.

 

Em Agosto, a ex-presidente do PS e antiga ministra da Saúde Maria de Belém anunciou que será candidata à Presidência da República e irá apresentar a sua candidatura na próxima terça-feira, dia 13. O PS decidiu conceder liberdade de voto aos socialistas na primeira volta das eleições presidenciais entre os candidatos do seu espaço político, para já, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém.

 

Ainda não foi formalizada qualquer candidatura junto do Tribunal Constitucional, o que pode acontecer até um mês antes das eleições e requer pelo menos 7.500 assinaturas de apoiantes. 

 

Lista de candidatos que já se apresentaram, potenciais candidatos e personalidades que se afastaram da corrida.

 

CANDIDATOS APRESENTADOS
Pela ordem cronológica em que foram anunciadas as candidaturas

 

Henrique Neto.  Foi o primeiro a anunciar a candidatura. Ex-deputado do PS e empresário, Henrique Neto, 78 anos, apresentou-se numa cerimónia no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, a 25 de Março. Pertencente a uma família ligada à indústria vidreira da Marinha Grande, é cofundador da empresa Iberomoldes.

 

Crítico dos governos socialistas de José Sócrates, no passado mês de Janeiro Henrique Neto subscreveu o manifesto "Por uma democracia de qualidade", entregue ao Presidente da República, Cavaco Silva, e que pedia uma reforma do sistema eleitoral.

 

Frases:

 

"Portugal tem problemas que têm soluções de esquerda, mas seria mau desconhecermos que muitos dos problemas nacionais também têm soluções de direita. Sem me comprometer, ao longo da campanha, vou apresentar posições sobre os grandes problemas nacionais, a começar por uma visão estratégica, e os portugueses verificarão que estão lá coisas claramente de esquerda como estarão lá algumas coisas que são claramente de direita".

 

"Não temos de nos preocupar com mais apoio ou menos apoio dos partidos políticos"

 

Orlando Cruz. É ex-militante do CDS, tem 62 anos, e apresenta-se como escritor. Nas autárquicas de 2013 concorreu, pelo Partido Trabalhista Português, à Câmara de Matosinhos, tendo obtido 0,68%, mas antes já se tinha candidatado também à autarquia do Porto.

 

Apresentou a sua candidatura à Presidência da República no dia 14 de Abril, no Porto, a sua terceira, tendo garantido que desta vez vai levar a candidatura até ao fim.

 

Frases:

 

"Eu quero ser um Rui Moreira nesta candidatura".

 

"Os políticos que nós temos tido em Portugal são autênticos vigaristas".

 

Paulo Morais: Antigo vice-presidente da câmara do Porto com os pelouros do Urbanismo, Acção Social e Habitação, durante o mandato de Rui Rio (PSD), de 2002 a 2005, Paulo Morais, 51 anos, notabilizou-se pelas posições anticorrupção. Pertence à associação cívica Transparência e Integridade e é professor universitário. Apresenta publicamente a sua candidatura a 18 de Abril, no icónico café Piolho, no Porto.

 

Na apresentação da sua candidatura afirmou que as eleições se transformaram em "concursos para a escolha do maior mentiroso" e garantiu que se for eleito demitirá o Governo que não cumpra asa promessas eleitorais, tendo apontado como prioridades o combate à corrupção e a transparência das contas públicas.

 

Frases:

 

"Os partidos do poder transformaram os processos eleitorais em circos de sedução em que acaba por ganhar quem é mais eficaz a enganar os cidadãos. As eleições transformaram-se assim em concursos para a escolha do maior mentiroso. E o troféu em jogo neste concurso é a chefia do Governo".

 

"Temos uma política onde a mentira tem sido a marca recorrente. Os candidatos tudo prometem em campanha e uma vez no poder esquecem os seus compromissos eleitorais. Passos Coelho prometeu-nos o céu, mas remeteu-nos ao inferno".

 

Cândido Ferreira. Cândido Ferreira aproveitou o dia 25 de Abril para avançar a intenção de se candidatar à Presidência da República numa localidade do concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, onde nasceu.

 

Perante cerca de 200 pessoas, o médico nefrologista defendeu a necessidade de acabar "com tanta exploração e tanta austeridade", e teceu críticas ao actual Presidente da República Cavaco Silva.

 

O antigo presidente da Federação de Leiria do PS disse que vai protagonizar uma "candidatura independente, do povo, com o povo e para o povo, para romper com a política tradicional e sem outras obediências que não sejam o respeito pela lei, pelos princípios e pelos valores" consagrados na Constituição.

 

Frases:

 

"Nunca tantos portugueses sofreram tanto, às mãos de tão poucos e sem que o Presidente da República alguma vez tivesse tomado alguma atitude firme em prol do nosso povo.

 

[Cabe ao Presidente da República] "ser um protagonista atento ao desenrolar da luta política, gerando consensos e não clivagens, enquanto garantia da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições".

 

António Sampaio da Nóvoa. O ex-reitor da Universidade de Lisboa, de 60 anos, apresentou a sua candidatura a 29 de Abril, no Teatro da Trindade, na capital.

 

Nascido em Valença, no Minho, conta com o apoio dos três antigos Presidentes da República Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, que estiveram presentes nas cerimónias de apresentação da candidatura em Lisboa ou do Porto.

 

A nível partidário, António Sampaio da Nóvoa conta, por enquanto, apenas com o apoio formal do partido Livre/Tempo de Avançar.

 

Frases:

 

"Não venho para deixar tudo na mesma. Venho para juntar os portugueses em torno de um projecto de mudança, para restaurar a confiança na nossa democracia e no nosso futuro, com esperança, com determinação, com a coragem que os portugueses sempre revelaram nos momentos mais difíceis da sua História".

 

"O Presidente da República tem de restaurar a confiança dos portugueses no Estado de Direito, nas instituições, na autoridade moral e na credibilidade de quem desempenha um cargo público. Tudo farei para reforçar a democracia, para estimular governos e oposições a cumprirem as suas funções com sentido reformista e de Estado, para consolidar a cooperação institucional, para promover uma maior participação dos cidadãos na vida pública".

 

 

Castanheira Barros. Jorge Castanheira Barros é advogado e candidatou-se em 2010 à presidência do PSD. Apresentou a sua intenção de concorrer a Belém a 21 de maio, no auditório da reitoria da Universidade de Coimbra, onde se licenciou.

 

Castanheira Barros é natural do Porto, tem 63 anos, e já assumiu que se revê, "em alguns aspectos", no Bloco de Esquerda.

 

Frases:

 

"Será prioridade minha, enquanto Presidente da República, se for eleito, o combate à fome neste país. É ainda uma vergonha nacional".

 

"O que é esquerda e direita? Não sei. O meu discurso pautar-se-á pela abordagem de questões concretas e não destas abstracções".

 

Paulo Freitas do Amaral. Eleito em 2009 presidente da junta de freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo, em Oeiras, e actualmente consultor autárquico, Paulo Freitas do Amaral é o candidato anunciado mais jovem - tem 36 anos.

Primo de Diogo Freitas do Amaral (ex-líder do CDS, ex-vice-primeiro-ministro e ex-candidato a Belém), apresentou publicamente a sua candidatura a 30 de maio em Guimarães, invocando Vasco da Gama e D. Afonso Henriques para vincar que a capacidade de liderar e de vencer não se mede pela idade.

 

Frases:

 

"Sei que sou talvez o candidato mais jovem e tenho debilidades da própria juventude. Ninguém é perfeito."

 

"Os chefes de Estado têm de ter a consciência da conjuntura em que estão a viver", e abdicar "de mordomias em prol de uma maior proximidade com as pessoas".

 

 

Graça Castanho. A docente universitária Graça Castanho anunciou a 30 de maio, em Ponta Delgada (ilha de S. Miguel, Açores), a sua pretensão de concorrer a Belém.

 

A potencial candidata açoriana considera ser "urgente promover um exercício de unidade nacional, unindo as parcelas do território", porque "os Açores desconhecem a Madeira, a Madeira desconhece os Açores, os dois arquipélagos desconhecem o continente, que também desconhece os seus arquipélagos".

 

A concretizar-se esta candidatura, será a primeira vez no pós-25 de Abril que as eleições presidenciais podem vir a contar com um candidato oriundo dos Açores.

 

Frases:

 

"Os Açores fazem parte do todo nacional. Depois de 40 anos de democracia não faz sentido nenhum que não haja um candidato ou uma candidata a partir dos Açores"

 

"Ter uma mulher açoriana a avançar é também promover as mulheres e a força das mulheres na discussão dos destinos comuns do nosso país".

 

 

Paulo Borges. O fundador e antigo presidente do PAN (partido Pessoas-Animais-Natureza) anunciou no dia 20 de Julho a intenção de se candidatar à Presidência da República, através de um comunicado, sob o desígnio de um movimento alternativo e apartidário mas que não rejeitará apoios.

 

Com uma candidatura sob o desígnio "Outro Portugal existe", Paulo Borges pretende "um Portugal alternativo, de pessoas que não ficam à espera que a política e a economia resolva tudo mas se organizam para fazer acontecer aquilo em que acreditam", um Portugal "marginal ao Portugal institucional".

 

Paulo Borges remeteu um "lançamento formal" da candidatura para Setembro ou Outubro, ressalvando não estar dependente das eleições legislativas.

 

Frases:

 

"É uma candidatura com uma dimensão fortemente libertária, que visa estimular a sociedade para a importância de valores como o da autogestão, da descentralização governativa, das comunidades locais e regionais se organizarem para viverem já de uma forma mais ética, mais saudável, mais auto-sustentável, e o que eu proponho é um novo desígnio para Portugal".

 

"A Europa está a desagregar-se. A sobrevivência das comunidades locais, regionais e mesmo do país passa muito por conseguir criar alternativas auto-subsistentes, resilientes, fora dos mecanismos da economia mundial".

 

 

Jorge Sequeira. O psicólogo Jorge Sequeira apresentou a 23 de Julho, em Vila Nova de Gaia, a sua candidatura à presidência da República, apontando como meta "devolver a confiança aos cidadãos", sublinhando que não está "preso" a nenhum partido.

 

Psicólogo, investigador, docente universitário e comentador político, como enumerou aos jornalistas, o candidato tem como lema "Portugal Somos Nós".

 

Frases:

 

"Quero devolver o optimismo, devolver a confiança aos cidadãos. Quero deixar que as pessoas deixem de se sentir desamparadas. Quero que as pessoas, quando olharem para o boletim de voto, vejam na minha cara, um espelho".

 

"Não estou preso a nenhum partido. Eu não tenho amigos na política".

 

Manuela Gonzaga. A historiadora Manuela Gonzaga apresentou a 10 de agosto a intenção de entrar na corrida a Belém.

 

O lema da sua candidatura é "liberdade incondicional" para todos, e conta com o apoio do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN).

 

A candidatura foi apresentada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde a também escritora e ex-jornalista é investigadora, especificamente no Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar.

 

Frases:

 

"Foi em maio de 2015 que comecei a interiorizar a candidatura à mais alta magistratura de Portugal, que, e por imperativos de cidadania, agora torno pública, considerando que faz todo o sentido erguer a minha voz não-alinhada para dar voz aos que já não a têm ou nunca a tiveram. E a quem já nem resta o alívio de um grito de revolta".

 

"Candidato-me à Presidência da República para assumir o cargo de Provedora dos Cidadãos. Para colocar o dedo na ferida alargada da Nação e apontar caminhos de liberdade, já que não pode haver liberdade sem reconhecermos a prisão onde estamos confinados".

 

 

Maria de Belém Roseira. Maria de Belém Roseira, 66 anos, foi ministra da Saúde e ministra para a Igualdade durante os Governos chefiados por António Guterres, tendo sido eleita presidente do Partido Socialista em 2011, cargo que exerceu até 2014.

 

A 17 de Agosto anunciou, numa nota enviada à agência Lusa, que se vai candidatar às eleições presidenciais de 2016 mas apenas apresentará publicamente a sua candidatura após as legislativas de 4 de Outubro. Na mesma nota, a ex-ministra da Saúde refere que "a prioridade para o Partido Socialista, neste momento, são as eleições legislativas", mas justifica o seu anúncio com a necessidade de "evitar especulações" e com o respeito que lhe merecem as pessoas que lhe têm manifestado o seu apoio.

 

O histórico socialista e antigo candidato presidencial Manuel Alegre já declarou o seu apoio a Maria de Belém, sublinhando que, "ao contrário do que alguns disseram, [esta candidatura] não divide, não fractura nem é redutora" e "tem condições para unir, alargar e mobilizar aqueles que, dentro e fora do PS, na sociedade civil e em diversificados sectores da vida pública, desejam a mudança, um presidente que respeite a Constituição e seja, de facto, o presidente de todos os portugueses".

 

Frases:

 

"Como militante de um partido político, vou empenhar-me relativamente às legislativas. Depois das legislativas, logo se verá".

 

"Apresentarei publicamente a minha candidatura após as eleições legislativas de 04 de Outubro"

 

 

Edgar Silva. Edgar Silva, de 53 anos, foi padre católico, é membro do Comité Central do Partido Comunista Português e deputado na Assembleia Legislativa Regional da Madeira desde 1996.

 

A 8 de Outubro, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, anunciou que Edgar Silva será o candidato presidencial apoiado pelo partido, tendo acrescentado que "é para ir a votos" e se existir uma segunda volta haverá uma nova análise.

 

A apresentação da candidatura de Edgar Silva será no dia 15 de Outubro, em Lisboa, segundo anunciou o candidato.

 

Frases:

 

"Agora posso apenas confirmar, a candidatura está assumida e será apresentada publicamente na quinta-feira [...] em Lisboa".

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa. Desde 2013 que Marcelo Rebelo de Sousa, 67 anos, não se exclui de uma candidatura a Belém - fá-lo no seu habitual programa de opinião na TVI, ao domingo à noite, onde faz os seus comentários políticos. Um espaço onde não vai regressar tão cedo, já que o ex-líder do PSD anunciou esta sexta-feira a sua candidatura a Belém.

 

Foi fundador do então PPD, em 1974, líder do PSD durante três anos, de 1996 e 1999, no pós-cavaquismo. Foi deputado à Assembleia Constituinte e também ministro da Presidência no final da década de 70. O professor de Direito é hoje membro do Conselho de Estado.

 

A 5 de Outubro, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, no seu habitual espaço de comentário na TVI, que "está ponderado o que havia a ponderar" sobre uma eventual candidatura à Presidência da República.

 

Frases:

"Cumprirei o dever moral de pagar a Portugal o que Portugal me deu. Serei candidato à Presidência da República de Portugal". 

 

"Está percebido e está ponderado o que havia a ponderar" [sobre a candidatura à Presidência].

 

"[Não dirá que não será candidato "nem que Cristo desça à Terra", como disse em 1996 relativamente à liderança do PSD?] Não digo eu, não diz o Barroso, não diz ninguém."

 

Outras candidaturas "não estão condicionadas pelo avanço de quem quer que seja" [referindo-se ao antigo deputado do PSD Rui Rio].

 

 




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