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Nobre e Lopes comparam currículos para Belém

Troca de argumentos sobre a experiência pessoal e política para ocupar cargo em Belém marcou o primeiro debate televisivo para as eleições de 23 de Janeiro.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 14 de Dezembro de 2010 às 22:07
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Os candidatos presidenciais Fernando Nobre (independente) e Francisco Lopes (PCP) apenas concordaram na oposição à necessidade de flexibilizar as leis do trabalho.

Troca de argumentos sobre a experiência pessoal e política para ocupar cargo em BELém marcou o primeiro debate televisivo para as eleições de 23 de Janeiro.


O candidato comunista tentou demonstrar o alinhamento de Fernando Nobre com o bloco central, lembrando o seu apoio anterior a políticos como o socialista Mário Soares ou o social-democrata Durão Barroso. O presidente da Assistência Médica Internacional (AMI) ripostou que tem “a única candidatura livre” das estruturas partidárias e que por isso, caso vença, irá para Belém “de mãos livres”.

“A minha candidatura partiu de um genuíno sentimento solidário de um cidadão, não sou candidato porque um comité central de um partido decidiu”, atacou Nobre, invocando a sua experiência na AMI para argumentar que faz “política internacional há mais de 30 anos e nos cenários mais dramáticos que se possam imaginar”.

“Sabe o que é pobreza extrema? Já viu os efeitos de um terramoto? Já criou um único emprego? A minha experiência política é do terreno”, referiu Nobre, dirigindo-se ao candidato do PCP. Esta foi a resposta a Francisco Lopes, que recorreu por várias vezes a recortes de entrevistas do seu opositor, como a declaração de que o Orçamento para 2011 era o “Orçamento possível”.

“Eu digo que é o Orçamento impossível, para os trabalhadores, os reformados, os jovens”, contrapôs o candidato apoiado pelo PCP, frisando, ainda a propósito da experiência para ser Presidente da República, ter “o selo de garantia de gerações e gerações que lutaram pela democracia”.

Neste primeiro debate, transmitido pela RTP e moderado pela jornalista Judite Sousa, Fernando Nobre garantiu que irá fazer “tudo para não dar posse a governos minoritários”, em defesa da estabilidade governativa. Para isso, irá recorrer ao “diálogo com a pessoa indigitada para primeiro-ministro”, de forma a ter “a maior coligação possível para dar um governo estável a Portugal”.

Propostas para o sistema político e ambição de ruptura

Fernando Nobre sugeriu esta noite duas alterações ao sistema político que defenderá durante a campanha e que promoverá, caso seja eleito Presidente nas eleições de 23 de Janeiro: reduzir o número de deputados dos actuais 230 para 100 para “responsabilizar mais os deputados e obrigar os partidos a escolher deputados de primeira água”; obrigar os titulares de órgãos políticos a publicar num site da Internet as declarações de rendimentos e ligações com sector empresarial privado.

Na área empresarial apontou a criação de “empresas para a inclusão”, resumindo que “com o aumento do desemprego é preciso o auto-emprego” e que deveriam ser apoiadas estas empresas com capital social zero, que não deveriam suportar encargos administrativos no processo de criação e que teriam capital garantido junto da banca.

Já Francisco Lopes, que garantiu estar a concorrer para ganhar a Presidência da República, disse que o chefe de Estado “deve usar os seus poderes constitucionais para influenciar e mudar o rumo das políticas”, naquilo que resumiu como “um movimento patriótico e de esquerda”. “Isto implica clareza de posições quanto aos serviços públicos, como o SNS que deve ser protegido”, exemplificou.

Num primeiro debate bastante aguerrido, os candidatos concordaram na rejeição à revisão da legislação laboral, como está a ser pressionado pela Comissão Europeia. Francisco Lopes lembrou que “já temos 800 mil desempregados, não precisamos de mais desemprego, e já temos dos salários mais baixos nas empresas”, enquanto Fernando Nobre respondeu que “as leis laborais são mais do que adequadas” e que uma flexibilização maior “seria contraproducente”.

O próximo debate televisivo para as eleições Presidenciais, novamente transmitido pela estação pública, colocará na quinta-feira (16 de Dezembro) em confronto dois militantes socialistas: o “repetente” Manuel Alegre (desta vez apoiado pelo PS e pelo BE) e o deputado Defensor Moura, médico e ex-presidente da Câmara de Viana do Castelo.
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