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Gestores hospitalares dizem que “não é possível assegurar os mesmos serviços” com os objectivos traçados

Reduzir défice para metade em 2014 é um exercício “muito complicado”. Só reorganização da rede hospitalar poderá ajudar, avisa a representante dos administradores hospitalares.

43.º - Paulo Macedo
Ministro da Saúde tem grande influência em todo este sector - e também dentro do Governo.
Marlene Carriço marlenecarrico@negocios.pt 30 de Dezembro de 2013 às 13:07
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Os administradores hospitalares alertam que será impossível cumprir com os objectivos traçados pelo Ministério da Saúde para o próximo ano, caso nada mude. Com um orçamento 3,5% mais curto, dívidas e saldos negativos herdados do passado, e novos objectivos de défice, os gestores mostram-se preocupados com o futuro do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o acesso dos utentes.

 

“Num cenário em que de facto vai haver uma diminuição do financiamento aos hospitais, conseguir esses resultados será um exercício muito complicado. Nós sabemos que não é possível assegurar os mesmos serviços com estes objectivos. Portanto, a questão que se vai colocar é o impacto da reforma hospitalar para alcançar estes objectivos”, disse ao Negócios Marta Temido, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, reagindo à notícia publicada esta segunda-feira.

 

Conforme publicou o Negócios, os hospitais terão de reduzir, pelo menos, para metade o seu défice no próximo ano, de acordo com as regras de contratualização com os hospitais-empresa, publicadas há duas semanas pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

 

Segundo Marta Temido, a mobilidade dos médicos, e consequente redução dos gastos com tarefeiros, poderá também dar um forte contributo para o alcance destas metas. Mas se nada sair do papel, “se tudo se mantiver como está”, então aí “é impossível” alcançar o objectivo. “Tem mesmo que se fazer qualquer coisa: reorganizar carteiras de serviços, reestruturar a oferta, deixar de ter certas valências em certos sítios”, exemplificou a administradora.

 

“Estou preocupada com os doentes”

Mas esta reorganização hospitalar “é um risco enorme”, caso não seja bem pensada, admite a gestora. “Eu acredito que seja possível fazer reestruturações sem prejudicar o acesso, resta saber se conseguimos. E esse é o grande desafio”, constatou.

 

Esta reforma “vai trazer mudanças para os utentes” que vão deixar de ter certas valências em determinados hospitais, mas “não podemos pagar um serviço à porta de todos. Nalgumas áreas não tem escala suficiente para ter qualidade sequer”, justificou.

 

Marta Temido teme contudo que a situação se complique para os utentes que gastam cada vez mais em taxas moderadoras e transportes para se deslocarem aos hospitais. 

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