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Pita Barros classifica propostas do FMI para a saúde como “pobres”

Algumas das propostas feitas no âmbito da saúde no relatório que o FMI apresentou ao Governo para poupar 4 mil milhões de euros não são novas, como a necessidade de reduzir a utilização das urgências. Esta é a opinião do economista Pedro Pita Barros, para quem faltam, no documento, mais referências a áreas como a do medicamento.

Medicamentos: Estado burlado em mais de um milhão de euros
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 11 de Janeiro de 2013 às 12:36

Reduzir os utentes que recorrem às urgências e direccioná-los para os centros de saúde, conhecidos como cuidados de saúde primários. Esta é uma das propostas que o Fundo Monetário Internacional (FMI) faz no relatório entregue ao Governo, tornado público esta semana. Novidade? Nenhuma. E esse é um dos problemas do relatório no que diz respeito à área da saúde, na opinião do economista Pedro Pita Barros.

 

Para o professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, o capítulo que é dedicado à saúde tem “muito menor qualidade do que o das pensões” e, no seu blogue “Momentos económicos e não só”, classifica mesmo a análise e as propostas feitas como “relativamente pobres”. “Seria de esperar mais”, considera.

 

No referido caso da utilização das urgências, a questão não é nova, até porque se sabe que este é “um ponto fraco do Serviço Nacional de Saúde”. A única coisa inédita neste campo no relatório do FMI é “apenas a necessidade de políticas mais informadas para serem mais orientadas e desejavelmente mais eficazes na redução do recurso à urgência”, diz o economista que, no seu blogue, já analisou, por exemplo, as medidas na saúde nas revisões do memorando de entendimento assinada por Portugal com a troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional).  

 

Uma das propostas feitas pela entidade presidida por Christine Lagarde neste relatório, que será um contributo para a refundação das funções do Estado, aponta para a ideia de que, depois dos aumentos passados, as taxas moderadoras que os cidadãos pagam pelos cuidados públicos de saúde podem subir ainda mais.

 

Noutros aspectos analisados na área da saúde, Pedro Pita Barros salienta que as propostas “resultam de análises incompletas ou, pelo menos, incompletamente injustificadas”. No caso do controle de ineficiências do excesso de consumo de cuidados de saúde, o economista considera que o relatório é “confuso, na melhor interpretação possível” misturando, “de forma inapropriada”, conceitos como taxas moderadoras e comparticipação de medicamentos.

 

Uma das questões erradas, na opinião dada pelo economista, passa pela ausência de uma definição do que é sustentabilidade - "sem um critério, como podemos saber se há ou não há sustentabilidade?".

 

Além disso, considera Pita Barros, “há diversas áreas de intervenção que não foram mencionadas com o detalhe devido – área do medicamento e respectiva distribuição e entrada de novos produtos, prescrição e normas de orientação clínica”.

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