Saúde Vacina contra o zika pode demorar anos, mas testes de diagnóstico ficarão disponíveis em semanas

Vacina contra o zika pode demorar anos, mas testes de diagnóstico ficarão disponíveis em semanas

Os testes de diagnóstico para o vírus zika podem ficar disponíveis em semanas, mas uma vacina demorará mais de um ano a ser testada em humanos, informa a OMS, que aponta para uma forte probabilidade de uma relação entre o vírus e a síndrome de Guillain-Barre, que causa paralisia.
Vacina contra o zika pode demorar anos, mas testes de diagnóstico ficarão disponíveis em semanas
Bloomberg
Inês F. Alves 12 de fevereiro de 2016 às 14:45

Especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) informaram esta sexta-feira que apesar do entusiasmo em torno da criação de uma vacina contra o vírus zika, o facto é que ainda vai demorar "pelo menos 18 meses" até se iniciarem testes clínicos em humanos.

Em conferência de imprensa, Marie-Paule Kieny, vice-directora da OMS encarregada do departamento de sistemas de saúde e inovação, adiantou que há pelo menos dois candidatos já muito avançados na criação desta vacina, nomeadamente o Instituto de Biotecnologia Bharat, na Índia, e o Instituto de Saúde dos EUA.

No início desta semana, a Agência Europeia do Medicamento (AEM) anunciou a criação de uma "task force" para apoiar a vacina contra o zika, que junta especialistas na área das vacinas e das doenças infecciosas.


Na conferência de imprensa da OMS desta sexta-feira, os especialistas avançaram com a possibilidade de estarem disponíveis no mercado "dentro de semanas, e não de anos", testes de diagnóstico do vírus, escreve a Reuters.

A Organização Mundial de Saúde adiantou ainda que não tem conhecimento de qualquer caso de morte de um adulto directamente relacionado com o zika, isto numa altura em que o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, anunciou o falecimento de três pessoas por complicações de saúde relacionadas com o vírus.


"Temos 319 casos confirmados, dos quais 68 infelizmente apresentam complicações, e tivemos três mortes devido ao zika a nível nacional", informou Maduro quinta-feira, sem adiantar mais detalhes sobre estes casos e sem referir o número de mulheres grávidas infectadas com o vírus.

O presidente da Venezuela disse porém que os casos suspeitos no país aumentaram e são agora mais de cinco mil. Todavia, escreve a Reuters, os médicos locais acreditam que há muitos mais casos do que os reportados.

Relação entre zika e síndrome que causa paralisia é "muito provável"

No que concerne a relação entre o vírus a síndrome de Guillain-Barre - que ataca o sistema nervoso central e pode causar paralisia em adultos-, os especialistas da organização dizem precisar de mais "algumas semanas" para investigar, mas que é "muito provável" que exista uma relação.

"Faltam-nos algumas semanas para estarmos seguros, e para demonstrar uma relação de causalidade, mas a ligação entre o zika e [a síndrome de] Guillain-Barre é muito provável", disse Marie-Paule Kieny.

Já sobre a relação entre o vírus e os casos de microcefalia, a organização disse apenas que necessita de mais algum tempo para analisar a questão.

A 1 de Fevereiro, a Organização Mundial de Saúde considerou que o recente aumento de casos de microcefalia e de desordens neurológicas em bebés na América Latina constitui uma emergência de saúde pública de alcance internacional e que existe uma forte suspeita de que o aumento daqueles casos seja causado pelo vírus zika, escreve a Lusa.

Segundo a agência, o Brasil é actualmente o país mais atingido pela epidemia, com 1,5 milhões de doentes e três mortes confirmadas, seguido da Colômbia, com 22.600 casos.


Um problema sem fronteiras

Enquanto Cuba reforçou a vigilância epidemiológica em 24 pontos das suas fronteiras, os EUA decidiram não rastrear pessoas que entrem no país por causa do vírus, uma vez que "a maioria das pessoas infectadas com zika é assintomática e portanto não pode ser identificada durante os processos de monitorização", informou o Departamento de Segurança Interna em comunicado esta quinta-feira.

"Com base no nosso actual conhecimento sobre o vírus, o reforço das medidas de verificação de saúde pública à entrada seria ineficaz", afirmou o departamento, num documento citado pela Lusa.

Todavia, a administração dos Estados Unidos da América (EUA) avançou esta semana com um pedido ao Congresso de um fundo de emergência no valor de 1,8 mil milhões de dólares (1,61 mil milhões de euros), para combater o vírus zika.


Em Cuba, as autoridades vão interrogar e medir a temperatura aos viajantes que cheguem ao país através de 10 aeroportos e 14 portos e marinas internacionais, numa tentativa de detectar possíveis infectados com o vírus.

O país não tem qualquer caso registado até agora, mas o vírus tem vindo a espalhar-se rapidamente pela América Latina e Caraíbas, sendo o Brasil o país mais afectado, seguido da Colômbia.

Também esta quinta-feira as autoridades chinesas confirmaram o primeiro caso de infecção num homem de 34 anos que esteve na Venezuela, mas garantiram que o risco de difusão do vírus na região Jiangxi, no sudeste da China, terra natal do visado, é "extremamente baixo" devido às temperaturas frias desta altura do ano.


A 28 de Janeiro deste ano, um comunicado da Direcção-Geral de Saúde dava conta de "seis casos de doença, todos importados da América do Sul", sendo que "nenhum deles ocorreu em grávidas".

O vírus zika transmite-se pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado - o mesmo associado ao dengue, febre-amarela e vírus chikungunya. 

Foram também identificadas outras vias como a transmissão perinatal, provavelmente por via transplacentária ou durante o parto, quando a mãe está infectada.

Suspeita-se ainda da possibilidade de transmissão por via sexual, através de fluidos corporais e existe igualmente um risco potencial de transmissão por transfusão de sangue e derivados.




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