Saúde Vírus zika sem impacto no negócio das agências de viagens portuguesas

Vírus zika sem impacto no negócio das agências de viagens portuguesas

Até agora, os pedidos de cancelamento ou adiamento de viagens não são significativos. Mas as grávidas que não quiserem viajar para os países afectados terão direito a reembolso. Esta quinta-feira foi detectado o primeiro caso numa grávida espanhola.
Vírus zika sem impacto no negócio das agências de viagens portuguesas
Bloomberg
Ana Serafim 04 de fevereiro de 2016 às 19:06

As agências de viagens portuguesas não estão a registar cancelamentos ou adiamento de deslocações a países da América Latina devido ao surto de zika. Também a TAP quantifica como "raríssimos" os casos em que houve pedidos de grávidas para alterar voos.


"Até agora, a questão do zika teve um impacto praticamente nulo na actividade das agências Abreu", assegura ao Negócios fonte oficial de uma das maiores redes em Portugal.


O mesmo cenário é traçado pela Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT). "Até ao momento, não recebemos indicação de cancelamentos ou adiamentos com excepção de duas grávidas o que, na verdade, não tem qualquer significado nas operações", refere fonte oficial.

"Naturalmente, há clientes a fazerem perguntas sobre este tema, que têm sido prontamente respondidas pelas agências de viagens, com base nas directivas comunicadas pela Organização Mundial de Saúde e pela Secretaria de Estado das Comunidades. Estas entidades não restringem as viagens, antes alertam para os riscos que podem correr as mulheres grávidas", continua.

Essa mensagem foi também passada às agências associadas da APAVT, numa circular enviada na terça-feira. Na missiva, citada pelo site de turismo Presstur, a associação alerta que "é essencial" que os clientes que tenham deslocações previstas para os destinos afectados "sejam devidamente informados da situação" e dos cuidados a ter.

Explicita ainda que "para eventuais pedidos de cancelamento de viagens por parte de grávidas (com base na recomendação da Direcção-Geral de Saúde) estaremos perante uma situação característica de caso de força maior" pelo que "devem as agências de viagens reembolsar os clientes, sempre e quando, a montante, forem reembolsados pelos respectivos fornecedores".
 

Nos outros casos, "não existindo qualquer tipo de fundamento para o cancelamento da viagem, aplicar-se-ão as regras gerais de cancelamento" conforme a Lei das Agências de Viagens, continua a mesma nota.

O Negócios contactou a rede Top Atlântico que indicou não ter dados disponíveis sobre o impacto do zika.

Não há corrida aos seguros de viagens

Em Portugal, também não está a verificar-se a tendência registada nos EUA, onde os clientes com idas previstas aos países afectados pelo zika estão a prevenir-se com seguros mais completos.

No início desta semana, a Reuters noticiava que a Roamright, uma das maiores fornecedoras de seguros de viagens do mercado norte-americano, tinha, em Janeiro, aumentado em 81% as receitas geradas por seguros com a opção de "cancelamento por qualquer razão". "Assistimos a este tipo de crescimento quando há um ataque terrorista ou outro tipo de acontecimento que leve as pessoas a pensar em formas de proteger os seus gastos com viagens", explicava a vice-presidente da Roamright, Linda Fallon.

 

"Não dispomos, até ao momento, de qualquer indicação nesse sentido, sendo certo que as agências de viagens dispõem de seguros de cancelamento à disposição dos seus clientes", contrapõe a mesma fonte da APAVT.

TAP com cancelamentos "muito pontuais"


A TAP, à semelhança de outras companhias aéreas e de cruzeiros, passou a permitir a grávidas o reembolso ou reagendamento de viagens marcadas para as Américas. A transportadora portuguesa não quantifica quantos pedidos já teve, mas fonte oficial refere que "são muito pontuais".

Indica porém que os passageiros têm contactado a empresa, através do contact center, das redes sociais ou telefonicamente, para esclarecer questões sobre o zika.

Actualmente, entre os destinos da TAP afectados pelo surto estão o Brasil, Colômbia, Panamá e Venezuela.

O vírus zika já foi detectado em pelo menos 26 países das Américas, onde a Organização Mundial de Saúde (OMS) teme que possa contaminar quatro milhões de pessoas este ano. O Brasil, que é um dos principais destinos turísticos dos portugueses, regista o maior número de casos, falando-se em 1,5 milhões de infectados pela picada do mosquito que também transmite o dengue e a febre amarela.

Grávida espanhola contaminada


A forte suspeita de que o zika está relacionado com os mais de 4 mil casos de microcefalia em recém-nascidos contabilizados no país levou a OMS a considerar o vírus como uma emergência de saúde pública internacional e a alertar as grávidas para o perigo de contaminação.

Esta quinta-feira, 4 de Fevereiro foi detectado em Espanha o primeiro caso de zika numa grávida, que tinha estado recentemente na Colômbia.


Também hoje, as autoridades brasileiras confirmaram um caso de contaminação por transfusão de sangue, depois de também já terem surgido suspeitas de que o vírus pode ser transmitido pela via sexual.

Em Portugal foram até agora contabilizados seis casos, todos em pessoas que tinham estado na América Latina e nenhum em grávidas.



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