Segurança Social Uma economista, um sociólogo e uma jurista cega ao lado de Vieira da Silva

Uma economista, um sociólogo e uma jurista cega ao lado de Vieira da Silva

Vieira da Silva leva para a praça de Londres uma economista muito crítica da política de Mota Soares, um sociólogo para assumir o trabalho, e uma jurista cega que vai desenhar as políticas de inclusão dos deficientes.
Uma economista, um sociólogo e uma jurista cega ao lado de Vieira da Silva
Catarina Almeida Pereira 25 de novembro de 2015 às 16:45

Vieira da Silva, que seis anos depois voltará a ser o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, escolheu para a sua equipa uma economista, um sociólogo e uma advogada. Cláudia Joaquim, a economista e assessora do grupo parlamentar do PS que se tem destacado por pôr em causa a estratégia da equipa de Mota Soares no combate à pobreza, será a nova secretária de Estado da Segurança Social. Miguel Cabrita, sociólogo, ficará responsável pelas questões relacionadas com a legislação laboral e o emprego. Ana Sofia Antunes, jurista e antiga assessora na Câmara de Lisboa, cega de nascença, vai desenhar políticas de inclusão de deficientes.

Cláudia Joaquim – secretária de Estado da Segurança Social

Cláudia Joaquim, que foi até agora assessora parlamentar do PS, tem-se destacado pelos artigos que questionam as opções da equipa de Mota Soares na área da Segurança Social e, em particular, na estratégia de combate à pobreza. Num artigo publicado pelo Observatório Sobre Crises e Alternativas, criticou a disparidade de critérios no financiamento directo às famílias, por um lado, e às IPSS, por outro: um casal com duas crianças recebe, no máximo, 374,1 euros por criança, mas uma IPSS pode receber 600 euros por mês enquanto uma IPSS pode receber 600 euros por mês para fornecer almoço e jantar a uma família com esta composição (e ainda cobrar um euro). Já este ano reforçou que as medidas de acção social não podem substituir as prestações sociais. "Este foi o erro do Governo" escreveu, num artigo da revista Crítica Económica. De acordo com a informação publicada pelo CES, Cláudia Joaquim era no ano passado mestranda no ISCTE em Políticas Públicas. Foi co-autora com Pedro Adão e Silva e Mariana Trigo Pereira do texto "O programa de assistência económica e financeira e as pensões". Já foi subdirectora-geral do Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do ministério da Economia.

Miguel Cabrita – secretário de Estado do Emprego

Miguel Cabrita, sociólogo e professor universitário, será o responsável pela área social e pelo emprego. De acordo com a informação publicada num blogue do PS Odivelas, que em 2013 anunciava a escolha de Miguel Cabrita como cabeça de lista à Assembleia Municipal, o investigador, que tem hoje 39 anos, coordenou a área de emprego e assuntos sociais da Presidência Portuguesa da União Europeia em 2007. Membro da comissão nacional do PS, tem aparecido em vários eventos promovidos nos últimos meses por António Costa. Em Julho do ano passado, defendeu segundo o Diário de Notícias a negociação de um entendimento de longo prazo com os parceiros sociais, o combate à precariedade e o regresso aos programas de qualificação, como o das Novas Oportunidades.

Ana Sofia Antunes - Secretária de Estado da Inclusão de Pessoas com Deficiência

Ana Sofia Antunes, advogada de 34 anos, cega de nascença, vai ser a responsável pelas políticas de inclusão de deficientes. A presidente da Associação de Cegos e Amblíopes (ACAPO) foi durante anos assessora do vereador da Mobilidade Nunes da Silva, na Câmara de Lisboa. Foi candidata a deputada do PS por Lisboa e, pela posição em que concorria, foi dada como a provável primeira deputada deficiente na Assembleia da República. "Uma alegria mas também uma tristeza: porquê só agora?", questionou em Julho, em entrevista ao DN. A eleição para deputada acabou por não se concretizar, mas é agora chamada para secretária de Estado. "Nós, ao contrário de outros países europeus, nunca tivemos pessoas com deficiência a ocupar cargos como deputados ou no Governo", dizia, em Agosto, numa entrevista ao Público. De acordo com a agência Lusa, esta secretaria de Estado ficará sob a alçada de Vieira da Silva e Ana Sofia Antunes será a primeira governante invisual em Portugal.

Nota da direcção

Caros leitores do Negócios,

Na sequência dos comentários que estamos a receber e que podem ser lidos nas caixas de comentários consideramos que devemos explicar aos nossos leitores o seguinte:

Na primeira versão desta notícia, publicada no dia 25 de Novembro às 16:45, o Negócios, erradamente, não colocou no título do artigo a profissão da secretária de Estado Ana Sofia Antunes. O erro foi corrigido posteriormente, como título a ser alterado para "Uma economista, um sociólogo e uma jurista cega ao lado de Vieira da Silva", destacando deste modo as profissões dos três secretários de Estado de Vieira da Silva. O Negócios manteve no título e no artigo a referência ao facto de Ana Sofia Antunes ser cega de nascença, pelo facto de se noticiar que é a primeira vez que um Governo português terá uma pessoa invisual. E também porque Ana Sofia Antunes vai assumir a pasta da Inclusão de Pessoas com Deficiência.

 

Na ausência de uma regra geral, optamos por usar "cega" em vez de invisual já que a própria secretária de Estado, de acordo com o Público, prefere a expressão cega a invisual.

 




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