Agricultura e Pescas ChemChina próxima de fechar acordo para comprar Syngenta

ChemChina próxima de fechar acordo para comprar Syngenta

A companhia pública chinesa poderá tornar-se no maior fornecedor mundial de pesticidas e agro-químicos se comprar a empresa suíça, que já esteve na mira da gigante Monsanto.
ChemChina próxima de fechar acordo para comprar Syngenta
Reuters
Ana Serafim 02 de fevereiro de 2016 às 16:15

A China National Chemical Corp, ou ChemChina, pode estar prestes a fechar o acordo para comprar a Syngenta, por 43,7 mil milhões de francos (39,4 mil milhões euros), noticia esta segunda-feira, 2 de Fevereiro, a Bloomberg.

Citando fontes próximas do processo não identificadas, a agência noticiosa avança que o negócio pode ser anunciado amanhã, quando a empresa suíça de pesticidas e sementes divulgar resultados. Os analistas antecipam uma quebra de 11% nas vendas anuais, para 13,5 mil milhões dólares.

A empresa pública chinesa oferece 470 francos por acção, 26% acima da cotação de fecho de ontem da Syngenta, que ficou nos 378,60 francos por título.

A concretizar-se, esta poderá ser a maior aquisição protagonizada por uma empresa da China, ultrapassando a compra da China Netcom Group pela China Unicom Hong Kong, em 2008, num negócio de 28 mil milhões de dólares.

E ajudaria a ChemChina, liderada por Ren Jianxin, a transformar-se no maior fornecedor mundial de pesticidas e agro-químicos. Mas há também interesses nacionais. Pequim quer ter acesso a sementes e a tecnologia para proteger as suas plantações. E o presidente Xi Jinping pretende estimular a agricultura de forma a contribuir para a auto-suficiência do país mais populoso do mundo.

O crescimento da classe média tem puxado pelo consumo de alimentos. E a pressão da construção – e dos campos de golfe – tem feito diminuir a existência de terra cultivável. De acordo com o Banco Mundial, a existência de terreno arável na China diminuiu 6% na última década.

Além disso, seria uma forma de a companhia chinesa diversificar as áreas de negócio onde está presente, reduzindo a dependência dos petroquímicos e dos produtos à base de petróleo, que representavam quase metade das vendas, que somaram 256,4 mil milhões de yuans (35,8 mil milhões de euros) em 2014, conforme os últimos dados disponíveis.

E de entrar em novos mercados como o Brasil ou Reino Unido, ao mesmo tempo que ‘rouba’ um activo cobiçado pela Monsanto, embora a compra ainda aguarde pela aprovação das entidades reguladoras da concorrência.

No ano passado, a norte-americana, líder no negócio das sementes geneticamente modificadas, viu a sua proposta pela Syngenta rejeitada, devido à proposta da chinesa, embora não excluísse voltar a tentar.

A liderança da Monsanto poderá ser ameaçada quando a Dow Chemical e a Dupont concluírem a fusão, no segundo semestre deste ano, criando um gigante no sector químico.




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