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Fábrica da DAI em Coruche em “lay off” de 90 trabalhadores

Na unidade de refinação de açúcar da empresa DAI, em Coruche, arrancou esta terça-feira a paralisação forçada de 90 dos seus 104 trabalhadores. Não há data para a empresa, com perdas de 25 milhões, retomar a laboração.

Sofia A. Henriques/Negócios
Lusa 01 de Março de 2016 às 15:07
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O presidente da Câmara de Coruche, Francisco Oliveira, acredita que o ministro da Agricultura irá acompanhar de perto a situação da açucareira DAI, situada no concelho, que coloca hoje em 'lay off' 90 dos 104 trabalhadores, disse, em declarações à Lusa.

Francisco Oliveira solicitou uma audiência a Luís Capoulas Santos para pedir um "acompanhamento próximo para que não se arraste" o processo de reconversão da fábrica, para a produção de açúcar a partir de beterraba sacarina, e assim retomar a laboração, suspensa há quase um ano.

"O senhor ministro conhece muito bem o processo. Enquanto eurodeputado foi negociador na questão das quotas de açúcar e com certeza estará atento", afirmou.

Francisco Oliveira, que se reuniu com a empresa no início de Fevereiro, disse à Lusa que a colocação da grande maioria dos trabalhadores em 'lay off' (uma suspensão do trabalho que obriga a uma redução salarial de cerca de um terço) foi apresentada como a forma de evitar o despedimento, na expectativa de ser encontrado um investidor e avançar com a reconversão, dado os 25 milhões de euros de prejuízo acumulado e a incapacidade para contrair empréstimos para adquirir matéria-prima.

O autarca adiantou esperar do Governo acompanhamento próximo do processo de candidatura da reconversão a financiamentos comunitários no âmbito do Portugal 2020 e da sensibilização aos agricultores para que arranquem já este ano com a produção de beterraba sacarina para que a fábrica possa iniciar a produção no início de 2017.

Para Francisco Oliveira, além de garantir o funcionamento da fábrica, e poder até gerar um aumento dos postos de trabalho (a unidade chegou a empregar 700 pessoas), o retomar da produção de beterraba representa também "uma grande oportunidade" para os agricultores da região e do país.

"A minha preocupação é se o processo se arrasta e se no dia 30 de Junho [quando termina o 'lay off'] os trabalhadores são chamados ou se a medida é prolongada por falta de acordo com um novo accionista" que permita assegurar a contrapartida nacional do investimento, disse.

A DAI, constituída em 1993 com o objectivo de produzir açúcar a partir de beterraba, viu-se obrigada a uma reconversão uma década depois de entrar em funcionamento, quando, em 2007, foi-lhe reduzida para metade a quota de produção (de 70.000 toneladas para 34.500, valor que passou para as 15.000 toneladas na campanha de 2008), no âmbito das medidas adoptadas por Bruxelas para reduzir a produção de açúcar na União Europeia.

Nas negociações com Bruxelas, a DAI conseguiu que lhe fosse atribuída uma quota de 65.000 toneladas/ano para refinação de açúcar de cana para assegurar a continuidade da unidade.

Com esta opção - a outra seria o abandono, ao qual corresponderia um montante de ajudas da ordem dos 50 milhões de euros -, a DAI realizou um conjunto de investimentos, que concluiu em 2008, da ordem dos 12 milhões de euros, recorda a Lusa.

Contudo, a dificuldade em obter cana-de-açúcar "a preço competitivo e proporcional com o nível interno" e a "compressão significativa" do preço do açúcar, "muito por causa do excedente da oferta dos grandes produtores europeus", levaram nos últimos anos a uma utilização da unidade "abaixo do limiar da rentabilidade", de acordo com o director-geral da DAI, Jorge Correia, citado pela agência noticiosa.

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