Agricultura e Pescas Produtores de leite contestam "prateleiras cheias de produtos importados"

Produtores de leite contestam "prateleiras cheias de produtos importados"

A associação do sector pressiona os supermercados para praticarem "um preço sustentável" e lamentam que a distribuição não faça "uma promessa de comprar mais um litro de leite ou um quilo de queijo" nacional.
Produtores de leite contestam "prateleiras cheias de produtos importados"
António Larguesa 28 de março de 2016 às 13:20

A Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) sustenta que os supermercados e hipermercados podem ser "a solução" para a crise do sector se deixarem de "lavar as mãos como Pilatos" e aproveitarem "esta época de Páscoa como uma passagem para uma atitude de compromisso, concreta", deixando de "importar as sobras da Europa" e comprometendo-se a comprar mais leite e produtos lácteos de origem nacional e a um preço sustentável.

 

"Está nas mãos dos associados da APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição) escolher se passamos para uma nova fase ou se vão continuar a afirmar que apoiam a produção nacional enquanto enchem as suas prateleiras de produtos importados, que continuaremos a denunciar", avisou o presidente da APROLEP, Carlos Neves.

 

As críticas dos produtores de leite surgem em reacção à entrevista da directora-geral da APED publicada no Expresso na passada sexta-feira, 25 de Março, em que a directora-geral, Ana Isabel Trigo de Morais, contraria as críticas deixadas ao sector na recente mega manifestação de agricultores, redirecciona algumas queixas para o plano político e sustenta que "há sectores em crise por não anteciparem tendências", apontando que "defende há muito que se faça uma campanha para a promoção do consumo de leite".

 

"Mas a APED apresentou ao Governo, à indústria ou aos produtores alguma proposta concreta dessa campanha? Várias cadeias de distribuição editam as suas revistas, porque não utilizaram esse espaço para convidar médicos ou nutricionistas de modo a esclarecer os consumidores? (…) Estão a APED e seus associados disponíveis para avançar nesta matéria ou esta proposta é apenas uma arma de defesa para situações de aperto?", questionou Carlos Neves.

 

Na mesma carta aberta divulgada esta segunda-feira, 28 de Março, o líder dos produtores critica ainda a porta-voz da distribuição por dizer que só 17% do leite disponível no mercado português é importado. Contrapõe que, se deixarem de comprar no exterior alguns desses milhões de litros de leite, "poderão evitar a falência de muitas explorações e o abate de muitos animais", e contesta a "estratégia" de não contabilizar também os queijos e iogurtes estrangeiros, lembrando que a importação de produtos lácteos ascende a 300 milhões de euros.

 

"Lamentavelmente, apesar de reconhecer que ‘há um problema crítico nos sectores de produção de carne de porco e de leite’, em nenhuma parte da entrevista é aberta uma perspectiva de mudança dos operadores que a APED representa, uma promessa de comprar mais um litro de leite ou um quilo de queijo, face ao problema que reconhecem", conclui o presidente da associação dos produtores portugueses.




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