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Alexandre Relvas testa vinho em garrafas de plástico

O projecto agrícola do presidente da Logoplaste aumentou 15% as vendas no ano passado e prepara-se para surpreender este sector tradicional para responder à exigência de um cliente internacional.

Jorge Godinho/Correio da Manhã
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2013 às 20:35
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A Casa Agrícola Alexandre Relvas (CAAR) vendeu 2,5 milhões de garrafas de vinho em 2012, aumentando a facturação em 15%, para 5,5 milhões de euros, disse ao Negócios o administrador, Alexandre Relvas. Num ano de “consolidação de mercados” – e são mais de 30 países –, o crescimento foi sustentado sobretudo pela actividade no estrangeiro, que já vale 70% do negócio.

 

Bélgica, China, Estados Unidos, Brasil e Alemanha são os principais mercados para os vinhos produzidos na Herdade de São Miguel e na Herdade da Pimenta, localizadas no Redondo, onde trabalham 30 pessoas. Ao todo, a empresa agrícola conta com 150 clientes e 15 mil postos de venda em todo o mundo. “Pelo clima económico em Portugal e porque queremos continuar a crescer e consolidar o projecto, os grandes caminhos de crescimento são no mercado internacional”. A Rússia e na Coreia do Sul serão as grandes apostas para este ano.

 

Questionado sobre a ligação deste negócio à Logoplaste, em que partilha o cargo de CEO com Filipe de Botton, Alexandre Relvas revelou ao Negócios que vai “lançar brevemente os primeiros vinhos em PET” [Politereftalato de etileno, um polímero termoplástico], para corresponder ao pedido “de uma grandes superfícies” com quem trabalha no estrangeiro. “Há uma associação entre as duas actividades [porque] alguns clientes internacionais, grandes superfícies, começam a pedir vinhos em PET”. Outra inovação recente foi a inclusão nos rótulos de uma tinta especial que muda a cor quando o produto atinge a temperatura certa para consumo.

 

A operar num sector muito tradicional, que sempre engarrafou em vidro, o empresário explicou que apenas está a “respeitar as tendências de mercado” e não se sente “condicionado por nenhum tipo de preconceito”. Lembrou até que a mesma resistência surgiu inicialmente com o “bag-in-box” [vinho em caixas de cartão] ou com o uso das tampas de rosca. “São tendências de mercado a que não se pode deixar de dar atenção e temos de ter resposta. Somos também produtores de cortiça [plantou 100 hectares de sobreiro], mas não podemos deixar de ter tampa de rosca para os clientes que a solicitem”, acrescentou.

 

Aproveitar a boleia internacional dos retalhistas

 

Apesar de assentar o aumento das vendas na exportação, a CAAR também cresceu “a uma taxa ligeiramente mais baixa” no mercado interno. Para o ganho de quota de mercado em Portugal tem contribuído a “parceria estreita com as grandes superfícies, como o Continente, Pingo Doce e o grupo Auchan”, que apresentou como “parceiros comerciais sólidos e incentivadores”. Quer aproveitar inclusive a internacionalização destas retalhistas para colocar mais vinhos no estrangeiro, dando o exemplo da entrada da Jerónimo Martins na Colômbia, com quem já cooperou na Polónia.

 

Em 2013, o objectivo é atingir as três milhões de garrafas vendidas, o equivalente a sete milhões de euros, e subir a quota de exportação para 75%. No médio prazo, perspectivou, quer chegar às cinco milhões de garrafas, o que permitirá à CAAR ter dimensão e ganhar competitividade, mas também exigirá novos investimentos.

 

A produção de uva nos 100 hectares de vinha não chega para as necessidades, obrigando a comprar 70% da matéria-prima a outros produtores da região, onde “há muita uva disponível a preços competitivos”. Daí que não pretenda investir em vinha nos próximos anos, concentrando o plano de investimentos na área comercial e de vinificação.

 

Apesar de ter três linhas de marcas – Herdade de São Miguel, São Miguel dos Descobridores e Ciconia – no total são sete as marcas que a produtora tem no mercado. Isso não retira eficácia em termos de promoção? “Traz complexidade em termos de produção, enchimento e armazenagem e do ponto de vista comercial aparentemente não permite investir numa marca, mas nos mercados internacionais, onde dificilmente teremos notoriedade (só o Mateus Rose tem), esta divisão em três marcas permite alargar o número de distribuidores e mais proximidade com os consumidores”, respondeu Alexandre Relvas.

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