Vinho Verdes investem três milhões no alvarinho de Monção e Melgaço

Verdes investem três milhões no alvarinho de Monção e Melgaço

Negociada como contrapartida pela perda da exclusividade desta valiosa casta, a campanha de promoção está pronta para avançar. A exportação de vinhos verdes deve ultrapassar este ano as vendas no mercado interno.
Verdes investem três milhões no alvarinho de Monção e Melgaço
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António Larguesa 22 de setembro de 2016 às 12:38

A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) anunciou um investimento de três milhões de euros num programa de promoção a seis anos destinado à sub-região de Monção e Melgaço, que na sequência de uma polémica negociação, concluída no início de 2015, acabou por perder a exclusividade da produção de alvarinho nesta região.

 

Esta campanha de promoção tem a assinatura "A Origem do Alvarinho", explorando os temas "Origem e Destino", "Origem e Carácter" (na foto) e "Origem e Descoberta". Até 2021, quando termina o período transitório de seis anos e se completa o calendário de implementação do alargamento do alvarinho a toda a região, o programa abrange acções formativas de produtores e profissionais da restauração, distribuição e turismo, eventos específicos, provas e degustações.

 

"Pela primeira vez em Portugal, uma sub-região é destacada como sendo válida só por si. É necessário reconhecer a exclusividade dos vinhos de Monção e Melgaço e reforçar aquela sub-região como território de origem da casta alvarinho no universo dos vinhos verdes. Já acontece noutros países, como França, há largos anos e, olhando para a nossa região, urge que se distinga aquele território como único", apontou Manuel Pinheiro, presidente da CVRVV.

 

Foi em Janeiro de 2015 que saiu "fumo branco" do grupo de trabalho mandatado pelo Ministério da Agricultura para resolver o polémico diferendo relativo ao alargamento a toda a região da possibilidade de comercializar vinhos verdes da casta alvarinho, que é aquela de maior valor e que até então eram um exclusivo destes dois concelhos do Alto Minho. Entre as compartidas negociadas estava este programa de promoção e também a possibilidade dos produtores de Melgaço e Monção poderem diferenciar-se no rótulo, sendo designado "alvarinho premium".

 

No centro do debate, que dividiu a região e contou até ao fim com a oposição do poder local, estava a possibilidade de todas as empresas mencionarem a casta, isto é, rotularem Vinho Verde Alvarinho, que era um exclusivo de Monção e Melgaço. Nos restantes 35 concelhos da região, a casta já era plantada e vinificada, mas se o produtor quisesse mencioná-la não podia chamar-lhe "Vinho Verde", mas rotular apenas "Vinho Regional Minho", que não tem o mesmo valor comercial no mercado nacional e internacional.

 
Meta antecipada na exportação

Em 2015, a região dos vinhos verdes registou exportações de 51,7 milhões de euros para 106 países, com os Estados Unidos, a Alemanha e a França a lideraram o ranking dos melhores mercados externos. Com as vendas ao exterior a valerem 40% do total – no início do século representavam apenas 15% da produção –, em Fevereiro a CVRVV traçou o objectivo de chegar aos 50% de exportações em três anos. Porém, segundo adiantou Manuel Pinheiro citando os dados disponíveis até ao momento, essa meta pode até ser atingida já em 2016.




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