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ACP junta-se ao coro de críticas a ministro por causa do diesel

Após as críticas da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) às declarações do ministro do Ambiente sobre o futuro dos automóveis a gasóleo, esta terça-feira o Automóvel Club de Portugal (ACP) também repudiou as palavras de Matos Fernandes.

Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 29 de Janeiro de 2019 às 13:03
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Após as críticas da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) às declarações do ministro do Ambiente sobre o futuro dos automóveis a gasóleo, esta terça-feira o Automóvel Club de Portugal (ACP) também repudiou as palavras de Matos Fernandes, acusando-o de "ignorância" e "desrespeito pelos consumidores".

Num comunicado intitulado "Ministro do Ambiente, da Transição Energética ou da Desinformação?", o ACP considera que as declarações de Matos Fernandes, em entrevista ao Negócios e Antena 1, são "mais do que alarmistas, altamente preocupantes".

A organização liderada por Carlos Barbosa considera que o governante revela "uma enorme ignorância sobre a matéria e um absoluto desrespeito pelos consumidores". 

O ACP acusa ainda Matos Fernandes de "um enorme conflito interior ao defender a contratação da potência elétrica mais baixa para as famílias pouparem na conta da luz, ao mesmo tempo que decreta uma eletrificação massiva do parque automóvel".

De acordo com o comunicado, "a ‘eficiência’ que [o ministro] defende para a eletrificação automóvel esbarra de frente com a realidade e com a economia nacional".

"A tecnologia Euro 6 em vigor e a Euro 7, obrigatória em 2023, garantem emissões drasticamente mais reduzidas o que significa que a combustão está para ficar, mais eficiente e ambientalmente sustentável. Já os automóveis elétricos só são ambientalmente mais sustentáveis face aos modelos a combustão com as normas Euro 6 se a eletricidade usada for 100% proveniente de energias renováveis", assinala o ACP.

A organização frisa que "atualmente, a maioria dos carros elétricos em circulação têm baterias de lítio e, numa produção em escala, não está assegurada a sua reciclagem nem os seus efeitos ambientais".

O ACP desafia ainda Matos Fernandes a esclarecer os consumidores lançando várias perguntas:
- "como pretende assegurar a rede elétrica para um consumo massivo?";

- "como assegura a produção de eletricidade suficiente para sustentar as necessidades de mobilidade pública e privada?";

- "como é que vai ser a tributação fiscal para os carros elétricos e a sua implicação na fatura da eletricidade doméstica?";

- "o que é que pretende fazer ao parque automóvel superior a 5 milhões de viaturas a combustão atualmente em circulação? Qual é a fatura ambiental do desmantelamento deste parque?";

- "como está a ser negociado o fim da combustão com a indústria sediada em Portugal, nomeadamente com a Autoeuropa, líder das exportações nacionais, que apenas fabrica carros a combustão?";

- "as suas opiniões são partilhadas pelos seus pares de Governo?".

A polémica sobre os automóveis a gasóleo surge após Matos Fernandes ter referido, na entrevista ao Negócios e Antena 1, que "hoje é muito evidente que quem comprar um carro [de motor] diesel muito provavelmente daqui a quatro ou cinco anos não vai ter grande valor na sua troca".

 

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