Automóvel Depois da Moody’s, S&P também ameaça passar Renault para "lixo"

Depois da Moody’s, S&P também ameaça passar Renault para "lixo"

Após a Moody’s ter cortado terça-feira o rating da Renault para "lixo", a S&P indicou agora que também pondera baixar a avaliação da Renault para o nível de "lixo". Tudo por causa dos prejuízos apresentados pelo grupo francês em 2019.
Depois da Moody’s, S&P também ameaça passar Renault para "lixo"
Pedro Curvelo 19 de fevereiro de 2020 às 14:43

A Standard & Poor’s (S&P) indicou esta quarta-feira que colocou o rating da Renault para revisão com perspetiva negativa, admitindo colocar a dívida da fabricante automóvel no nível de "lixo".

A S&P refere que o processo de avaliação do rating da Renault, atualmente em BBB-, deverá ser concluído em maio, admitindo a possibilidade de colocar a dívida de longo prazo da empresa em BB+, o primeiro nível de "lixo".

A agência de notação financeira assinala que a margem operacional da Renault encolheu de 3,3% em 2018 para apenas 1,7% no ano passado.

E a S&P aponta vários desafios para o grupo automóvel francês. A agência refere que não antevê que a Nissan, onde a Renault detém uma participação de 43%, pague dividendos no futuro mais próximo. Acresce que a Renault terá de investir fortemente nas tecnologias para automóveis elétricos e enfrenta uma concorrência cada vez mais feroz no mercado europeu.

"Antecipamos que os fabricantes de grande volume, como a Renault, terão dificuldades em imputar aos clientes os custos associados à eletrificação das suas gamas", considera a S&P.


A agência adverte ainda para os sinais de erosão da quota de mercado da Renault na Europa, sendo que em janeiro as vendas do grupo na UE no segmento de ligeiros de passageiros encolheram 16,3% tendo a quota de mercado baixado de 10,6% para 9,6%.

A S&P considera ainda que, dado que a Europa representa cerca de metade das suas vendas, a Renault tem uma grande exposição aos limites de emissões de CO2 impostos por Bruxelas. A Renault terá de reduzir a média de emissões dos ligeiros de passageiros vendidos de 118 gramas por quilómetro para menos de 95 gramas. A aposta em elétricos e híbridos da fabricante apresenta um risco, assinala a S&P, por muitos desses modelos apenas chegarem ao mercado na segunda metade do ano. A agência estima que por cada grama acima do limite a Renault incorra numa multa de 180 milhões de euros.

A Renault já anunciou, após apresentar o primeiro prejuízo numa década, um plano de redução de custos de dois mil milhões de euros até 2022, o que corresponde a cerca de 20% dos custos fixos da empresa. A S&P diz, no entanto, que enquanto não forem conhecidos detalhes de plano, o que apenas deverá ocorrer em maio, não é possível apreciar as medidas a adotar pela fabricante automóvel.




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