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Indústria automóvel no Reino Unido aumenta lucros mas salários dos trabalhadores baixam

O aumento dos ganhos dos construtores de automóvel no Reino Unido não está a beneficiar os trabalhadores da linha de produção. Os operários mais mal pagos têm visto os seus salários baixar apesar do aumento de vendas e de lucros, noticia esta segunda-feira o "Financial Times".

Negócios negocios@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2014 às 14:01
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Este é o outro lado da recuperação de uma indústria que há dez anos entrou em declínio, mas que hoje em dia está pujante e arranjou um novo slogan: “Um novo carro em cada 20 segundos”.  

 

O grande crescimento das agências de recrutamento e a explosão de contratos temporários nas fábricas de automóvel do Reino Unido teve como consequência a queda da média salarial, em termos reais, de um terço da força laboral nos últimos quatro anos de acordo com a investigação do "Financial Times".

 

A descida dos salários e aumento da utilização de bancos de horas, traz à discussão os benefícios reais de uma das mais badaladas recuperações do pós crise no sector industrial.

 

As fábricas de automóveis do Reino Unido aumentaram a produção 45% nos últimos quatro anos, para 55 mil milhões de libras (57 mil milhões de euros). A indústria está a fazer mais carros com muito menos trabalhadores. Apesar do aumento da procura, os dados do emprego são paradoxalmente inversos. No ano passado, o sector empregava 87 mil trabalhadores, menos cinco mil do que seis anos antes. Em 2004, eram 123 mil.

 

Desde 2009, os salários subiram 2,3% e os vencimentos do terço dos trabalhadores mais mal pagos desceu 7,5%, de acordo com o instituto nacional de estatísticas britânico. Isto, ao mesmo tempo, que o salário médio dos directores de qualquer um dos seis maiores fabricantes de carros do Reino Unido aumentou 19%. Na unidade da Vauxhall, em Ellesmere, os trabalhadores tem mais tempo nas mãos mas menos dinheiro para gastar com apenas um aumento nos últimos cinco anos.

 

“Nós mantivémos a fábrica aberta mas isso teve custos”, disse um dos empregados que deixou a unidade recentemente. “Tivemos muito tempo em casa durante 18 meses e o nosso salário só teve um aumento nos últimos cinco anos”, disse o mesmo operário.

 

“Todos estão a retirar proveito da falta de regulação para aumentar a baixa de salários, e a fazer crescer os trabalhadores precários”, afiança Roger Maddison, membro do sindicato da indústria automóvel. “Há muito trabalho para ser feito até que a recuperação da indústria chegue a todos os que contribuíram para que ela acontecesse”, acrescenta.

 

Os ganhos são para todos? 

 

As contrutoras dizem que o congelamento de salários, a redução das horas de trabalho e a baixa das regalias foram acordadas com os trabalhadores durante a recessão para proteger os trabalhadores de possíveis fechos de fábricas no Reino Unido.

 

Nenhuma fábrica britânica fechou neste período, ao mesmo tempo que a quebra de vendas na Europa levou ao encerramento de unidades do sector na Alemanha, França, Bélgica e Itália.

 

A questão da distribuição de ganhos tem aliás sido um campo de batalha fértil, entre a coligação de direita que governa e a oposição do “Labour”. Os trabalhadores defendem que a aclamada recuperação económica não está a chegar a todos.

  

Os trabalhadores na Jaguar Land Rover e na Nissan vão negociar novos pacotes salariais este ano. Os sindicatos estão a negociar com o construtor japonês salários e condições que façam jus ao “esforço e conhecimentos”.

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