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“Não sou engenheiro”. Que dúvidas tirou o presidente da VW América aos deputados?

Quando soube do escândalo e para quando a solução? Os deputados norte-americanos quiseram mais informação da Volkswagen. Michael Horn respondeu, sempre limitado pelas imposições da sede alemã.

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Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 08 de Outubro de 2015 às 18:26
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Chegou a ser chamada de Lance Armstrong dos automóveis. A Volkswagen mentiu e desrespeitou os consumidores. As perguntas dos deputados norte-americanos ao CEO do grupo naquele país foram incisivas. Entre as histórias de ligação à marca foram surgindo confissões de falta de confiança quanto às soluções encontradas para arranjar os carros afectados.

 

"A verdade, toda a verdade e nada mais do que a verdade". De mão direita no ar, Michael Horn assumiu o compromisso, de forma voluntária. No Congresso dos Estados Unidos da América, nenhuma pergunta ficou por responder. Mas as dúvidas persistem. Quando a conversa entrou no registo mais técnico, Horn recorreu sempre à mesma frase: "não sou engenheiro". Mas lá explicou que o "dispositivo manipulador" não é mesmo um dispositivo, mas antes um código de ‘software’. 

Quando soube Horn do escândalo?

"Na Primavera de 2014, quando o estudo da West Virginia University foi publicado, foi-me dito que havia uma possível não-conformidade de emissões, que poderia ser remediado", explicou.

 

Mas não foi aí que ficou a saber da intencionalidade do escândalo. A Volkswagen instalou "dispositivos manipuladores" de emissões em 11 milhões de carros em todo o mundo. Nos Estados Unidos são meio milhão.

 

Horn garantiu aos deputados que em 2014 desconhecia o esquema. Ele e qualquer pessoa na Volkswagen América. Foi só a 3 de Setembro deste ano – poucos dias antes de ser tornado público - que confirmou aquele que viria a ser o pior escândalo em 78 anos de história do grupo automóvel.

 

"Deixem-me ser bem claro: quando fui informado sobre o processo da EPA [agência ambiental norte-americana], não fui informado, nem tinha motivos para suspeitar, que os nossos veículos incluíam tais dispositivos", reforçou.

 

O CEO alertou que esta não foi uma "decisão corporativa", deixando boquiabertos vários deputados americanos. Foi um pequeno grupo a avançar com as medidas. E tudo começou na Alemanha, garantiu.

 

Foram instalados com a intenção de manipular as emissões? "Tanto quanto sabemos, foram instalados com esse propósito, sim", admitiu. 

 

Como está o caso a afectar o CEO?

Os eventos tornados públicos nas últimas semanas "não reflectem a companhia que eu conheço e à qual me dediquei 25 anos da minha vida". Por isso, Michael Horn pede "desculpas sinceras". Mas não chega.

 

Os deputados insistiram com Horn se ele não sabia mesmo do esquema. O gestor volta a garantir que não. "Estes eventos são profundamente preocupantes. Não achava que algo como isto fosse possível no grupo Volkswagen", reforçou.

 

"Não durmo à noite", confessou. A sua prioridade é agora reconquistar a confiança dos consumidores, concessionários e trabalhadores. Mas não vai ser fácil: todas as decisões sobre como lidar com esta crise são tomadas na sede alemã. Daí que tenham ficado muitas questões sem uma resposta clara.

 

Há promessas de dar mais informação ao Congresso assim que possível. O mesmo Congresso que alertou fazer demasiado barulho durante as suas intervenções. "Vocês aqui tossem o tempo todo", lamentou. 

Para quando a solução?

Confirmando o plano entregue por Wolsburgo ao regulador, Michael Horn explicou que uma mera substituição de ‘software’ não será possível em alguns casos. Há carros que vão precisar de ser corrigidos em termos de estrutura, nomeadamente com a instalação de novos motores.

A garantia é de que os carros são seguros e podem continuar na estrada, por se tratar unicamente de um problema de emissões poluentes. O calendário para que os veículos afectados se dirijam às oficinas ainda é um mistério. A intenção é de que a operação comece em Janeiro.

Até que todos os carros estejam reparados, poderá passar entre um a dois anos, prevê o responsável. A correcção deverá levar entre cinco e 10 horas por viatura. Depois de arranjados, e se os consumidores não estiverem satisfeitos com o desempenho do mesmo, a Volkswagen deve compensá-los, admitiu.

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