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Nissan planeia abandonar a aliança com a Renault após fuga de Ghosn

A fabricante automóvel japonesa quer acelerar a separação da sua aliada Renault, com quem mantém uma relação controversa há vários anos. Situação do ex-líder da aliança Carlos Ghosn impulsionou o processo.

Reuters
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 13 de Janeiro de 2020 às 10:33
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Os representantes da Nissan têm-se reunido nos últimos dias para planearem uma possível separação da sua aliada Renault, com quem mantém uma relação há 20 anos, segundo o Financial Times (FT). 

A aliança entre as duas fabricantes automóveis vivia períodos conturbados há vários anos e a fuga do antigo presidente de ambas as empresas, Carlos Ghosn, fez estalar o verniz e ressurgir a vontade da Nissan em separar-se da fabricante francesa. 

A acontecer, a separação pressupõe uma divisão total entre a Nissan e a Renault a nível de engenharia e de fabricação, assim como mudanças nos quadros de ambas as companhias, de acordo com o jornal britânico.

O FT adiantou que a relação entre as duas estava "tóxica" há vários anos, com os representantes da Nissan a considerarem que a Renault, que produz mais de 10 milhões de veículos por ano, estava a ser um "empecilho" para a empresa. 

O fim desta grande aliança no setor automóvel poderá significar que quer a Nissan, tal como a Renault possam começar a procurar novos potenciais parceiros, numa altura em que a fusão entre a Fiat Chrysler e a PSA (dona da Peugeot, Citroën e Opel) pode ameaçar as pretensões de empresas que atuem sozinhas.

Numa altura em que o foco está a mudar, de forma gradual, para o desenvolvimento de automóveis elétricos, é provável que as duas cotadas, caso o divórcio se concretize, tentem procurar parceiros com conhecimento na área.

As negociações que o FT diz estarem a decorrer entre os representantes da Nissan, surgem numa altura em que o presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, irá apresentar novos projetos para a aliança, disse o próprio numa entrevista que deu, o mês passado, ao jornal. 

As recentes notícias sobre a fuga de Carlos Ghosn, que liderou as duas empresas, catalisaram esta vontade dos dirigentes da Nissan que, mesmo com o empresário no leme (posteriormente substituído por Jean-Dominique Senard), sentiam que a relação entre as duas não estaria a funcionar. 

A Nissan considerou recentemente, através de um comunicado, que a "fuga do ex-presidente Carlos Ghosn para o Líbano sem autorização do tribunal, em violação das condições da libertação sob fiança, é um ato que desafia o sistema judicial do Japão" e considerou o ato "extremamente lamentável".
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