Automóvel Volkswagen adia decisão de instalar fábrica de 1,3 mil milhões na Turquia

Volkswagen adia decisão de instalar fábrica de 1,3 mil milhões na Turquia

A investida militar da Turquia sobre a Síria está a preocupar a administração da Volkswagen, que decidiu suspender os planos de começar a produzir neste país.
Volkswagen adia decisão de instalar fábrica de 1,3 mil milhões na Turquia
VW
Negócios com Bloomberg 15 de outubro de 2019 às 11:21

A Volkswagen adiou a decisão de construir uma fábrica automóvel na Turquia, tendo em conta os receios provocados pelos recentes conflitos militares nos quais o país se envolveu no norte da Síria.

A fabricante automóvel alemã preparava-se para começar a produzir a partir de uma cidade no ocidente da Turquia, Manisa. O plano era produzir 300.000 carros e criar 5.000 postos de trabalho. O objetivo era que esta unidade servisse de ponte para as vendas na Europa, juntando-se em território turco a marcas como a Daimler, Ford Motor, Toyota Motor, Continental e Robert Bosch.

Porém, a decisão de Ancara de atacar militarmente as forças curdas instaladas no Norte da Síria está a travar o avanço dos alemães.

"Estamos a acompanhar de perto a situação e de momento estamos preocupados sobre os mais recentes desenvolvimentos", declarou a Volkswagen esta terça-feira, 15 de outubro. A decisão de adiamento foi tomada pelo conselho de administração, disse a empresa.

A chanceler alemã, Angela Merkel, fez eco das vozes de vários Estados membros europeus e da posição da própria Comissão Europeia e, através de uma chamada este fim-de-semana, pressionou a Turquia a retirar a investida de território sírio. Os chefes de Estado da União Europeia ficaram de discutir na cimeira desta semana, que é dedicada ao Brexit, se vão aplicar sanções contra a Turquia em protesto com a ofensiva do presidente Recep Tayyip Erdogan no norte da Síria, segundo a Bloomberg. A hipótese de sanções financeiras foi avançada inicialmente pelo presidente Trump.

A Turquia iniciou a passada quarta-feira uma ofensiva terrestre que penetrou pelo norte da Síria e teve como alvo uma organização armada curda, a Unidades de Proteção Popular (YPG), um grupo considerado terrorista pela Turquia tendo em conta as alegadas ligações com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que defende a autonomia curda em território turco.

Um dos objetivos avançados por Ancara para justificar a investida na Síria foi criar uma "zona segura" para onde pudessem ser transferidos os 3,6 milhões de refugiados sírios. Face à consternação da comunidade internacional, Erdogan já veio ameaçar redirecionar estes milhões de refugiados para a Europa.

O movimento em direção à Síria foi provocado pela ordem de Trump de retiro das tropas norte-americanas da Síria, onde trabalhavam com os curdos como aliados no combate ao Daesh, o autoproclamado Estado Islâmico. 




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