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Volkswagen vai adiar ou cancelar investimentos considerados não essenciais

O grupo automóvel tem até esta quarta-feira, 7 de Outubro, para entregar um plano para fazer face ao maior escândalo dos seus 78 anos de história. As medidas podem ser mais duras do que se esperava.

Bloomberg
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 06 de Outubro de 2015 às 12:14
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A Volkswagen prepara-se para adiar ou cancelar investimentos considerados não essenciais para o grupo automóvel. A medida surge na sequência do escândalo de manipulação de emissões poluentes em veículos a gasóleo. A polémica atinge 11 milhões de veículos em todo o mundo.

"Vamos rever todos os investimentos previstos. Os que não são absolutamente vitais serão cancelados ou atrasados", afirmou o CEO Matthias Müller a cerca de 20 mil funcionários da empresa, que se encontravam reunidos na sede de Wolfsburg, cita a Bloomberg.

Quanto à pressão para reduzir custos devido a esta polémica de emissões, Müller optou por ser "completamente claro": "isto não vai ser feito sem dor".

"As soluções técnicas para os problemas estão a ser analisadas. No entanto, o negócio e as consequências financeiras ainda não são claros", acrescentou perante as poupanças de custos "massivas" que se colocam ao grupo automóvel.


Funcionários do grupo de todo o mundo encontram-se na cidade alemã para a reunião anual das comissões de trabalhadores. "Vamos precisar de colocar em causa, com grande determinação, tudo o que não é ecónomico", reforçou Bernd Osterloh, chefe do conselho de trabalhadores da Volkswagen, citado pela Reuters.

O representante dos trabalhadores garante que o escândalo não está a ter consequências ao nível dos postos de trabalho, mas que será impossível fugir a cortes nos salários e à supressão de bónus.

Como explica a Bloomberg, o conselho de trabalhadores estará a pressionar a Volkswagen para que reduza nas despesas de investigação e desenvolvimento, com vista à protecção dos postos de trabalho. Do outro lado, a gestão parece focada na redução das despesas com o pessoal.

As fontes ouvidas pela agência noticiosa referem que poderá estar em causa também a diminuição das despesas de compras e a redução de actividades de patrocínio por parte da Volkswagen.

Desde que este escândalo rebentou em meados de Setembro, o grupo automóvel já perdeu um terço do seu valor de mercado. A Volkswagen admitiu ter instalado "dispositivos manipuladores" de emissões poluentes em 11 milhões de carros a gasóleo em todo o mundo. Só na Europa são oito milhões.

A fabricante tem até esta quarta-feira, 7 de Outubro, para apresentar uma solução ao regulador alemão. Caso contrário, arrisca-se a perder a homologação dos veículos afectados. Tal representaria uma proibição das vendas e circulação dos mesmos.

A Volkswagen emprega mais de 600 mil pessoas em todo o mundo.

(Notícia actualizada às 13:10)

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