CEO do BCP: “A estabilidade pode ser com acionistas com 4%”
A estabilidade acionista pode ser atingida com grandes investidores, mas também com pequenas participações, sublinha o presidente executivo do BCP. Em entrevista ao Negócios e Antena 1 quando a saída da Fosun da estrutura acionista é uma possibilidade cada vez mais real, Miguel Maya insiste que para quem gere o importante é que haja estabilidade.
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Desde que assumi a função atual, em 2018, não houve um único ano em que eu não tivesse ouvido que se ia a Fosun ou que se ia a Sonangol ou que se ia a Fosun outra vez. Essa não é de todo a minha preocupação. A minha preocupação é, ponto número um, o que eu tenho de “feedback” é que os acionistas estão satisfeitos. Em 2023 o banco valorizou 87%, em 2024 foi 69%, em 2025 foi 92,8%. Foi um dos bancos que mais valorizou na Europa. Os acionistas estão satisfeitos com a “performance”, os clientes estão satisfeitos com o trabalho que temos vindo a fazer. Dito isto, há muita coisa que temos de melhorar, quer do ponto de vista da rendibilidade, quer da qualidade de serviço aos clientes. Há muito trabalho por fazer. Relativamente aos acionistas, a decisão é dos acionistas. Eles dizem-me que estão satisfeitos. Cada um deles terá as suas prioridades. O banco está forte e robusto. Nessa matéria, estou muito tranquilo com a evolução do banco.
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O banco pertence aos seus acionistas. Eu sou gestor, não sou dono do banco. Como gestor, a minha preocupação é assegurar, por um lado, que tenho estabilidade acionista, e essa estabilidade pode ser conseguida com acionistas com 20% ou com 10% ou com o maior acionista com 4%. Mas preciso de estabilidade acionista porque o banco precisa de acionistas. E a preocupação é gerar valor, é ter um banco rentável, capaz de inovar, capaz de prestar um bom serviço à sociedade, que apoie o crescimento da economia e o bem-estar das famílias.
Quanto melhor for o trabalho feito pelas equipas de gestão e pelos trabalhadores, mais atrativo fica o banco. Houve uma altura em que ninguém queria, aliás, recorde-se o valor que a ação atingiu, e se atingiu era porque ninguém estava interessado em tomar posições acionistas. A minha preocupação é valorizar o banco, criar um banco inovador e que tenha futuro. É isso que temos feito, e não tenho dúvida que o caminho não está acabado, há muita coisa por fazer.
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Num cenário central, que incorpora tudo o que vivemos até hoje, estou absolutamente confiante que o BCP vai entregar o plano estratégico. Estamos confiantes numa boa execução da política de dividendos. Somos uma empresa cotada, não posso dizer mais. A nova política tem escalões, exatamente para estarmos preparados para diferentes cenários. Estou muito confiante que num contexto muito mais difícil, a transformação que estamos a fazer nos vai permitir entregar o plano.
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Nunca estou confortável com o que atinjo. O potencial do banco ainda não está concretizado. Os resultados foram bons, não foram extraordinários. O banco tem capacidade de continuar a crescer. Tem de reforçar a capacidade de inovação, de fazer uma incorporação da inteligência artificial. Há imenso a fazer.
O que um gestor gosta é de crescer e contratar. Há o processo de ajustamento, mas a expectativa é que o banco cresça. No ano passado admitimos cerca de 200 pessoas.
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