Banca & Finanças Quem é a Fosun que quer o Novo Banco?

Quem é a Fosun que quer o Novo Banco?

Ainda que diga que as prioridades de investimento sejam a saúde e a felicidade, a Fosun volta agora a ser uma hipótese para ficar com o Novo Banco. O maior grupo privado chinês ainda está na corrida.
Quem é a Fosun que quer o Novo Banco?
Reuters

Nunca falaram muito do processo, envolto em confidencialidade, mas sempre transmitiram a ideia de que a racionalidade económico-financeira falará mais alto na hora de definir o preço a oferecer. Mas foi o próprio "chairman" da Fosun, Guo Guangchang, que esteve em Portugal, em vésperas de entregar a proposta.

 

O interesse da Fosun no Novo Banco faz parte da sua aposta "em serviços financeiros integrados", que marca uma nova fase numa estratégia de desenvolvimento de negócio que começou com a compra de seguradoras, com o objectivo de alavancar fundos para outros investimentos. Depois dos seguros, o grupo chinês fundado em 1992 por Guo Guangchang, Liang Xinjun e dois outros colegas de faculdade, começa agora a investir na banca. Sempre numa perspectiva de integração e complementaridade com os outros negócios do grupo.

 

Mas neste momento, a grande aposta do conglomerado são os negócios de "saúde e felicidade", que abram a porta do "estilo de vida de classe média aos cidadãos chineses", como fez questão de repetir Guo Guangchang, o homem-forte da Fosun, na apresentação formal da compra de uma participação no Cirque du Soleil.

 

Cirque du Soleil é apenas um dos investimentos da Fosun nesta área abrangente da saúde e felicidade. A marca de produtos de luxo grega Folli Follie, a cadeia francesa de resorts Club Med, o operador turístico britânico Thomas Cook ou o grupo português de hospitais Luz Saúde.

Em Portugal foi, no entanto, pelos seguros que a Fosun foi notada, quando comprou a Fidelidade à Caixa Geral de Depósitos em Janeiro de 2014 e, através, dela comprou, posteriormente, a ES Saúde, que já transformou em Luz Saúde. Pagou mil milhões de euros por 80% da Fidelidade e, nesse ano, foi um negócio de destaque para a Fosun, já que tinha sido, até então, o mais importante investimento internacional do grupo.

Em Maio a Reuters noticiava que a Fosun tinha mais sete mil milhões de euros para aquisições. E até se falou da possibilidade do grupo chinês entrar em outros negócios em Portugal, nomeadamente os media. Dinheiro que obteve, em parte, com o aumento de capital. O presidente da Alibaba, a gigante tecnológica chinesa, é um dos investidores que colocou dinheiro no aumento de capital da Fosun.

 

O ímpeto comprador da Fosun foi tal que Guo Guangchang passou, em Janeiro, a encabeçar a Hurun Midas Rich List of China 2015, composta por 87 investidores chineses, 12 dos quais mulheres, com uma fortuna pessoal superior a 50 milhões de dólares (41,6 milhões de euros). Na lista dos Poderosos do Negócios entrou, este ano, para a 30.ª posição. Um outro executivo do Fosun, Liang Xinjun, ocupa o 5.º lugar da lista, com 1.600 milhões de dólares (1.330 milhões de euros).

 

A própria empresa diz que é uma história clássica de sucesso depois das reformas e abertura da China, após os anos 90. A sua filosofia de investimento, acrescenta, continua a manter a base sólida na China, onde pretende investir nas oportunidades de crescimento. É também a pensar na China que compra empresas no exterior. E tem negócios na área seguradora, indústria, gestão de activos e de investimentos.

"O mundo será diferente por causa da Fosun. A vida será melhor por causa da Fosun". Foi com esta convicção que Guo Guangchang apresentou as contas de 2014 aos seus accionistas: activos sob gestão 324 mil milhões de yuans (cerca de 45 mil milhões de euros) e lucros de mil milhões de euros.

A Fosun nasceu em 1992. Com um grupo de amigos, Guo Guangchang avançou. Começaram a empresa com 38 mil yuan. Em 2002, a Fosun investiu numa das primeiras privatizações, a de uma loja turística de Xangai que era do governo local. Inspiraram-se em modelos como o do homem mais rico da Ásia, Li Ka-shing, para investir fora de portas. O modelo de Buffett era perfeito para o financiamento a longo prazo. Seguradoras de Xi'na e de Hong Kong foram os alvos seguintes nessa estratégia. A pouco e pouco foi conseguindo adquirir posições minoritárias no exterior.

A Fosun é uma das empresas que tem estado exposta ao volátil mercado bolsista chinês que mostra, na perspectiva de Guo Guangchang, "o quanto é crucial o investimento em empresas de valor". "Num contexto de puro pânico no mercado, devemos ser bravos e avançar no sentido oposto ao da multidão", afirmou o responsável máximo da Fosun.

 

É uma aprendizagem do tai chi que utiliza no seu dia-a-dia de negócios. E pode-se dizer que poderá agora ser a sua filosofia para o Novo Banco. "O objectivo do tai chi não é agredir primeiro para ganhar vantagem sobre um concorrente, mas esperar e atacar no momento certo (...). A vantagem resulta da capacidade de ser mais rápido a captar a mudança e a tomar a acção decisiva", explicou Guo Guangchang, "chairman" da Fosun, ao Financial Times em Novembro.




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