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Accionistas do Lloyds querem plano para sucessão de Horta Osório

Accionistas pedem ao "chairman" do banco para elaborar uma lista de sucessores para o dia em que o banqueiro português sair do Lloyds.

11 – Horta Osório. O CEO do LLoyds não surge nos 10 primeiros, ao contrário do que sucedeu nos dois anos anteriores. O rendimento do gestor português baixou para 11 milhões de dólares, contra os 12,9 milhões de dólares de 2014.
reuters, bloomberg
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 12 de Setembro de 2016 às 14:59
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O Lloyds está muito dependente da liderança de António Horta Osório, acreditam dois dos accionistas do banco britânico. Estes investidores, que se encontram entre os 25 maiores da instituição, consideram que não existe nenhum sucessor interno para o gestor português e que o banco deve urgentemente elaborar uma lista de possíveis sucessores externos.

A notícia está a ser avançada esta segunda-feira, 12 de Setembro, pelo Financial Times.

"O que aconteceu durante o verão sublinha o risco que existe no Lloyds", disse um destes accionistas ao Financial Times, referindo-se à notícia do jornal The Sun que dava conta de um alegado envolvimento extra-conjugal de Horta Osório com uma antiga assessora de Tony Blair.

Em consequência, Horta Osório veio a público e rejeitou comentar a sua vida privada. No entanto, lamentou os danos causados à reputação do Lloyds e garantiu que pagou as despesas pessoais na viagem a Singapura do seu bolso.

Este accionista tem vindo a colocar pressão ao presidente do conselho de administração do Lloyds, Norman Blackwell, para dar seguimento a este dossier. "O presidente do conselho de administração precisa de resolver isto", disse ao FT.

Notícias vindas a público este ano davam conta de tensões dentro do banco entre Horta Osório e o chairman do Lloyds devido ao Brexit. O gestor português - um "fervoroso eurófilo", descreve o FT - defendia a permanência do Reino Unido na União Europeia, enquanto o "chairman" defendia a saída por razões de soberania.

"Sim, eles tinham pontos de vista muito diferentes em relação ao Brexit, mas respeitavam o seu ponto de vista, e o chairman deu-lhe um grande apoio em relação aos seus assuntos privados", desvalorizou um executivo do banco.

O Lloyds é detido em 9% pelo Estado inglês, depois de ter sido resgatado em 2008 por mais de 20 mil milhões de libras (23,6 mil milhões de euros).

Apesar de algumas vozes pedirem à cúpula do banco para começar a tratar da sucessão, outras dão um voto de confiança ao banqueiro português. "Ele é o mais importante presidente executivo do sector", disse o CEO da Aberdeen Asset Management, Martin Gilbert, um dos 15 maiores accionistas do banco.

Também o "chairman" do Lloyds continua a apoiar Horta Osório. "Estou satisfeito que o António esteja comprometido a continuar a liderar o negócio e a perseguir as nossas ambições estratégicas. Ele e a sua equipa tem sido fundamentais para restaurar a saúde financeira do grupo e estão focados na próxima etapa da estratégia", disse Norman Blackwell ao FT.

Outro accionista, entre os 25 maiores, considera que os recursos humanos são um tema pouco "relevante" neste momento, depois do banco ter regressado aos lucros, ter voltado a pagar dividendos e da fatia do governo britânico ter sido reduzida para menos de 9%.

Ao mesmo tempo, notícias em Inglaterra dão conta de que dois executivos do Lloyds vão deixar o banco. Miguel Angel Rodriguez vai deixar o cargo de líder do sector digital, enquanto Mary Hall vai abandonar a auditoria do banco, avança a Sky News, com o Lloyds a não comentar. Horta Osório anunciou este ano que o banco prepara-se para despedir três mil trabalhadores até ao final de 2017.

As acções do Lloyds caem 4,11% em Londres para os 56,91 pence, num dia de quedas generalizadas para os títulos do sector financeiro nas praças europeias.
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