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Administração do BPI avalia acções 38% acima do preço da OPA do CaixaBank

A administração do BPI avalia as acções do banco em 1,54 euros, valor que está 38% acima do oferecido pelo CaixaBank na OPA. No relatório de avaliação da oferta do banco espanhol, a administração liderada por Fernando Ulrich refere que a OPA é "oportuna".

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O conselho de administração do BPI avalia as acções do banco em 1,54 euros, valor 38% acima dos 1,113 euros proposto na OPA do CaixaBank.

A administração do banco liderado por Fernando Ulrich, em comunicado hoje enviado à CMVM, classifica a OPA como "oportuna".

No documento, a administração justifica este classificação de "oportuna" por três ordens de razão. A primeira é da que o CaixaBank, passando a controlar a maioria do capital do banco, iria "criar um quadro que aumenta o leque de alternativas para solucionar o actual incumprimento pelo BPI dos limites dos grandes riscos causados pela exposição do BFA à dívida pública angolana".

A segunda razão evocada é da que esta oferta é "oportuna", visto que "pode reforçar a capacidade do BPI para enfrentar os desafios e oportunidades que se colocam ao sector bancário".

Um terceiro motivo pelo qual a administração do BPI valida a OPA é por considerar que a mesma é lançada por "uma instituição financeira de grande credibilidade, que é accionista do BPI desde 1995". O CaixaBank controla 44,7% do capital do BPI e tem direitos de voto limitados a 20%.

Em paralelo, a administração do BPI considera que o sucesso da OPA abrirá ao banco na possibilidade de participar em movimentos de consolidação no mercado doméstiico onde existem "actualmente oportunidades".

Embora o CaixaBank tenha afastado a possibilidade concorrer à compra do Novo Banco, o conselho de administração do BPI teoriza sobre um cenário de consolidação. "Ao vir eventualmente a controlar um banco com capacidade de obter sinergias no mercado doméstico, o oferente está a adquirir uma opção que poderá ter um potencial adicional de geração de sinergias no mercado doméstico em Portugal, no cado de o BPI vir a ser interveniente em algum processo de consolidação em Portugal".

Avaliar as acções é "particularmente difícil"

 

Num relatório com 40 páginas, a administração do BPI dedica um quarto delas a avaliar o preço da oferta. E começa logo por afirmar que "no momento actual, a determinação de um preço para o BPI é particularmente difícil, tendo em conta alguns factores que não tem possibilidade de quantificar".

 

Entre as dificuldades na avaliação do preço está a incerteza quanto ao momento e termos em que o valor atribuído neste Relatório à participação do BPI no BFA poderá ser monetizado", bem como "potenciais custos significativos com a resolução do BES e do Banif" e ainda "o facto de nesta data não ser possível determinar o impacto dos novos ‘requisitos mínimos de fundos próprios e de passivos elegíveis (MREL)’, decorrente da entrada em vigor do Mecanismo Único de Resolução bancária da Zona Euro iniciado este ano".

 
Apesar de nunca classificar o preço da OPA, a administração do BPI apresenta um quadro onde chega a uma avaliação das acções do banco de 1,54 euros. Um preço que se situa 38% acima da contrapartida da oferta lançada pelos espanhóis do CaixaBank (1,113 euros).

 

Para chegar à avaliação de 1,54 euros por acção, a administração do BPI utilizou o método da "soma das partes", que é bastante utilizado pelos analistas financeiros para avaliar as cotadas.

 

Atribuindo uma avaliação de 1,6 mil milhões de euros ao BFA, o BPI chega a uma avaliação de 1,82 euros para cada acção. Se não contabilizar qualquer valor à posição do BPI no banco angolano, a avaliação das acções do BPI é de 1,27 euros. O ponto médio destes dois valores é de 1,54 euros.

 

Do quadro publicado pelo BPI pode concluir-se que a contrapartida da OPA do CaixaBank não chega sequer à avaliação que a administração do banco faz à actividade doméstica do banco (1,18 euros por acção).

 

Para chegar à avaliação da actividade do BPI em Portugal, a administração seleccionou "uma amostra de bancos ibéricos com operações maioritariamente domésticas e por isso comparáveis".

 

Chegou desta forma a uma avaliação de 1,416 mil milhões de euros, a que corresponde um valor por acção de 0,97 euros.


As sinergias são determinadas pela comunicação do CaixaBank, sendo que apesar do banco espanhol não quantificar o valor actual líquido destas sinergias, o BPI calcula-as em 600 milhões de euros, a que corresponde 0,408 euros por acção. Num cenário de partilha de metade destas sinergias com o BPI, a administração do banco português refere que o valor por acção é de 0,204 euros.  


Preço da OPA tem implícito desconto entre 1 e 11%

 

No capítulo dedicado à análise ao preço da OPA, a administração do BPI conclui ainda que os 1,113 euros oferecidos pelo CaixaBank representam "não um prémio, mas, pelo contrário, descontos relativamente ao preço médio da acção BPI".

 

Tendo em conta diversos intervalos de tempo para calcular o desconto implícito na oferta, a administração do BPI diz que este oscila entre "1% e 11% relativamente às cotações médias do BPI, o que compara com prémios entre 15% e 19% nas transacções precedentes no sector bancário europeu".

 

Se o CaixaBank utilizasse os prémios que foram pagos em transacções anteriores na Europa, o preço da oferta oscilaria entre 1,289 e 1,463 euros, sendo que aqui a diferença está no espaço temporal utilizado (cotação média da última semana antes da oferta ou últimos três meses).


(notícia actualizada às 19:59 com mais informação)
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