Banca & Finanças Administração da antiga dona do BPN volta a mudar três meses depois

Administração da antiga dona do BPN volta a mudar três meses depois

Gustavo Samouco foi substituído na administração da Galilei, depois do chumbo à recuperação. Tinha entrado há três meses, substituindo Carlos Vasconcelos Cruz, que também esteve três meses no cargo. A escolha dos accionistas é António Cunha Correia.
Administração da antiga dona do BPN volta a mudar três meses depois
Bruno Simão
Diogo Cavaleiro 16 de fevereiro de 2016 às 19:45

Continua a dança de cadeiras na Galilei SGPS, a antiga Sociedade Lusa de Negócios. O ex-presidente, Gustavo Samouco, saiu da presidência da empresa, que controlava o BPN até à sua nacionalização em 2008. Esteve no cargo três meses. Tantos como o seu antecessor. No seu mandato, a empresa viu ser-lhe chumbada, pelo Estado, a possibilidade de recuperação.

 

Ao que o Negócios apurou, Samouco saiu do cargo na semana passada e a escolha dos accionistas é António Cunha Correia. Apesar dos contactos, ainda não foi possível obter uma resposta por parte do grupo. No site oficial, ainda não está acrescentada a mudança.

 

Gustavo Samouco, que era já líder da área de gestão hoteleira da Galilei antes de subir à liderança da SGPS em Novembro de 2015, tinha como "principal foco de atenção" a aprovação do Processo Especial de Revitalização (PER), o instrumento que permitiria a recuperação e evitaria a insolvência.

 

Contudo, o Estado, através da Parvalorem (que herdou os créditos tóxicos do antigo BPN), rejeitou o plano porque, no imediato, este assumia apenas cerca de 113 milhões de euros como dívida a pagar ao veículo do Estado e colocava o restante capital reclamado (cerca de 1.200 milhões) dependente de um processo judicial que os viesse a reconhecer.

Depois do chumbo ao PER, Gustavo Samouco saiu. A anterior administração, de Carlos Vasconcellos Cruz, também tinha estado apenas três meses em funções, tendo sido ela a lançar o pedido de entrada em PER. Vasconcellos Cruz tinha ocupado o cargo de Fernando Lima.

 

O grupo Galilei era a antiga SLN, que tinha no BPN o seu principal activo. Depois de nacionalizado em 2008, o grupo manteve os activos que tem noutras áreas, desde a saúde (onde tem o British e o centro de exames médicos IMI) à agricultura mas ficou esvaziado da sua jóia. No final de 2014, o último ano em que há um relatório e contas, o grupo que empregava 1.133 trabalhadores apresentou prejuízos de 947 mil euros.

 

Neste momento, depois do chumbo ao PER da Galilei SGPS (com a posição da Parvalorem) e também depois de reprovado o PER à Galilei Internacional (entre outros, pela Parvalorem e Montepio), as áreas operacionais estão a tentar também a sua recuperação – o sector da saúde apresentou o seu próprio PER, independente da casa-mãe, para tentar escapar à insolvência.

 

No final de 2014, entre os accionistas da Galilei, encontrava-se a SLN Valor, com 31,7% do capital (com vários dos accionistas que foram também accionistas do BPN), José Oliveira Costa (fundador do banco, que tem a sua posição penhorada), com 4%, e Almiro Jesus Silva, com 3,2%.



(Notícia rectificada às 20:34: por lapso, no antepenúltimo parágrafo, falava-se em BCP quando, claro, se queria dizer BPN)

 




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